Um Capricho dos Deuses [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Язык: португальский
- Переводчик: A. B. Pinheiro de Lemos
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «Um Capricho dos Deuses [em Português]». Краткое содержание книги:
Ele riu.
— É uma pergunta justa. Seu salário será de 65 mil dólares por ano, mais uma verba de representação.
— Quando isso começa?
— Na hora em que prestar juramento.
— E até lá?
— Receberá 75 dólares por dia.
Mary sentiu um aperto no coração. Não daria sequer para pagar as contas do hotel, muito menos para as outras despesas.
— Ficarei em Washington por muito tempo? — perguntou ela.
— Cerca de um mês. Faremos todo o possível para acelerar a transferência. O secretário de Estado já telegrafou para o governo romeno, solicitando a aprovação de seu nome. Aqui entre nós, já houve discussões particulares entre os dois governos. Não haverá problemas com os romenos, mas ainda ficará na dependência da aprovação do Senado. Então o governo romeno vai me aceitar, pensou Mary, espantada. Talvez eu seja mais bem qualificada do que imaginava.
— Fiz uma consulta informal ao presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado. O próximo passo será uma audiência pública com todo o comitê. Farão perguntas sobre seus antecedentes, sua lealdade ao país, opiniões sobre o posto e o que espera realizar.
— E o que acontece depois disso?
— A comissão vota. Apresenta suas conclusões, e todo o Senado vota.
Mary disse, bem devagar:
— Já houve indicações rejeitadas no passado, não é?
— O prestígio do presidente está em jogo neste caso. Você terá todo o apoio da Casa Branca. O presidente está ansioso em ter sua confirmação o mais depressa possível. Por falar nisso, achei que você e as crianças gostariam de conhecer a cidade durante os próximos dias. Por isso, providenciei um carro com motorista, assim como uma excursão particular pela Casa Branca.
— Muito obrigada! Stanton Rogers sorriu.
— O prazer é todo meu.
A excursão particular pela Casa Branca foi na manhã seguinte. Um guia acompanhou-os. Passaram pelo Jardim Jacqueline Kennedy e o jardim em estilo do século XVIII em que havia um laguinho, árvores e uma plantação de ervas para uso na cozinha da Casa Branca.
— Bem à frente fica a Ala Leste — anunciou o guia. — Aloja os gabinetes militares, as ligações presidenciais com o Congresso, um escritório para visitantes e as salas da equipe da primeira dama.
Passaram pela Ala Oeste e deram uma olhada no Gabinete Oval do presidente.
— Quantos cômodos têm aqui? — indagou Tim.
— Há 132 cômodos, 69 closets, 28 lareiras e 32 banheiros.
— O pessoal deve ir muito ao banheiro.
— O presidente Washington ajudou a supervisionar uma boa parte da construção. Foi o único presidente que nunca residiu aqui.
— Não o culpo por isso — murmurou Tim. — A casa é grande demais.
Mary cutucou-o, o rosto vermelho.
A excursão demorou quase duas horas, e ao final a família Ashley estava impressionada e exausta.
Este é o lugar em que tudo começou, pensou Mary. E agora serei parte disso.
— Mamãe...
— O que é, Beth?
— Você está com uma cara engraçada.
O telefonema do gabinete do presidente ocorreu na manhã seguinte.
— Bom dia, senhora Ashley. O presidente Ellison gostaria de saber se estará disponível esta tarde para encontrá-lo.
Mary engoliu em seco.
— Ahn... claro, claro.
— Três horas seria conveniente?
— Está ótimo.
— Uma limusine irá buscá-la às quinze para as três.
Paul Ellison levantou-se quando Mary foi introduzida no Gabinete Oval. Ele se adiantou para apertar-lhe a mão, sorriu e disse:
— Peguei-a! Mary riu.
— Fico contente que isso tenha acontecido, senhor presidente. É uma grande honra para mim.
— Vamos sentar, senhora Ashley. Posso chamá-la de Mary?
— Por favor.
Sentaram no sofá. O presidente Ellison disse:
— Você vai ser meu doppelgänger. Sabe o que é isso?
— É uma espécie de um espírito idêntico ao de uma pessoa viva.
— Exatamente. É o nosso caso. Não dá para descrever como Fiquei excitado ao ler seu último artigo, Mary. Era como se estivesse lendo alguma coisa que eu mesmo escrevera. Há muitas pessoas que não acreditam que o nosso programa de povo-para-povo possa dar certo, mas você e eu vamos demonstrar que estão enganadas.
Nosso plano povo-para-povo. Nós vamos mostrar que os outros se enganam. Ele é um homem encantador, pensou Mary. Em voz alta, ela disse:
— Quero fazer tudo o que puder para ajudar, senhor presidente.
— Estou contando com você. E muito. A Romênia é uma espécie de campo de prova. Como Groza foi assassinado, seu trabalho será mais difícil. Se tivermos sucesso lá, podemos fazer com que dê certo nos outros países comunistas.
Os dois passaram os trinta minutos seguintes discutindo alguns dos problemas e depois Paul Ellison disse:
— Stan Rogers vai se manter em contato permanente com você. Ele se tornou um dos seus maiores fãs. — O presidente estendeu a mão. — Boa sorte, doppelgänger.
Stanton Rogers telefonou para Mary na tarde seguinte e avisou:
— Você tem um encontro amanhã de manhã, às nove horas, com o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado.
O gabinete da Comissão de Relações Exteriores fica no Edifício Dirksen. Uma placa no saguão, no lado direito da porta, informa: COMISSÃO DE RELAÇÕES EXTERIORES, SD-419.
O presidente da comissão era um homem rotundo, cabelos grisalhos, olhos verdes penetrantes, o comportamento descontraído de um político profissional. Cumprimentou Mary na porta.
— Charlie Campbell. É um prazer conhecê-la, senhora Ashley. Já ouvi falar muito a seu respeito.
Bem ou mal?, pensou Mary. Ele conduziu-a a uma cadeira.
— Aceita um café?
— Não, obrigada, senador.
Ela estava nervosa demais para conseguir segurar uma xícara.
— Sendo assim, vamos direto aos negócios. O presidente está ansioso em tê-la como nossa representante na Romênia. Claro que queremos lhe proporcionar um apoio total, por todos os meios possíveis. O problema é o seguinte: acha que está qualificada para ocupar o posto, senhora Ashley?
— Não, senhor.
A resposta pegou-o de surpresa.
— Como?
— Se está querendo saber se já tive alguma experiência diplomática no trato com outros países, então não estou qualificada. Contudo, fui informada de que um terço dos embaixadores americanos é constituído por pessoas que também não tinham experiência anterior. O que eu levaria para o meu posto é o conhecimento da Romênia. Estou a par de seus problemas econômicos e sociológicos, conheço-lhe os antecedentes políticos. Creio que poderia projetar uma imagem positiva de nosso país para os romenos.
Ora essa, pensou Charlie Campbell, surpreso. Eeu estava esperando uma mulher de cabeça vazia. A verdade era que Campbell tinha algum ressentimento contra Mary Ashley antes mesmo de conhecê-la. Recebera ordens superiores para* obter a aprovação de sua comissão para Mary Ashley, não importava o que pensassem dela. Havia muitos comentários desdenhosos nos corredores do poder sobre a gafe que o presidente cometera ao escolher uma caipira desconhecida de um lugar chamado Junction City, Kansas. Mas tenho a impressão de que a turma terá uma pequena surpresa, pensou Campbell. Em voz alta, disse:
— A audiência da comissão será realizada às nove horas da manhã de quarta-feira.
Mary entrou em pânico na noite anterior à audiência. Edward, quando me interrogarem sobre a minha experiência, o que direi a eles? Que em Junction City fui a rainha da escola e ganhei o concurso de patinação no gelo por três anos consecutivos? Estou em pânico, querido. Ah, como eu gostaria que você estivesse aqui comigo!