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A caçada ao lobo de Wall Street [calibre 4.2.0]

Электронная книга - «A caçada ao lobo de Wall Street [calibre 4.2.0]». Краткое содержание книги:

Jordan Belfort fez uma fortuna no mercado de ações americano nos anos 1990 e viveu uma vida de luxo, drogas, sexo e pura loucura. O problema foi que, para enriquecer dessa maneira, ele não seguiu apenas o bom caminho, e o FBI não deixou barato... Acusado de fraude de valores mobiliários, manipulação de ações, lavagem de dinheiro e outros inúmeros crimes financeiros que nem ele saberia citar, Jordan se viu obrigado a cooperar com a Justiça americana, dedurando amigos e antigos colegas para tentar se livrar de uma pena que poderia chegar a 30 anos de prisão – e arruinar de vez sua vida.
Em A caçada ao Lobo de Wall Street, Jordan conta com sua fina ironia e acidez todos os detalhes de seu início de carreira, bem como tudo que aconteceu com ele depois que seu império desmoronou: perdeu a esposa, o dinheiro e quase perderia os filhos. Uma história contada sem pudores, por um homem cativante que precisou se reinventar a qualquer custo. **
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E comecei a rir.

– Vocês não têm ideia de como essa pergunta era irônica – e comecei a balançar a cabeça.

– O que ela tem de tão irônico? – perguntou o Canalha, sem emoção. – Eu não entendo.

– Bem, é que empresas como a Great American Meat and Seafood, o nome da empresa onde Elliot trabalhava, estão sempre à procura de vendedores. O mesmo vale para empresas como a Stratton Oakmont ou Monroe Parker ou Aspiradores Kirby ou qualquer outra empresa que precise de vendedores falantes e que recebam na base da comissão – parei de falar e refleti sobre aquela época. – No caso da Stratton, a gente costumava testar os candidatos com a prova do espelho, ou seja, a gente punha um espelho debaixo do nariz da pessoa e esperava que ele embaçasse. Se ficasse embaçado, o cara estava contratado, se não, ele estava morto e essa seria a única razão pela qual não seria contratado; a menos que fosse um corretor licenciado, que a gente nunca iria contratar mesmo, porque seria alguém que sabia demais. Queríamos que nossos corretores fossem jovens e ingênuos, famintos e idiotas – dei de ombros. – Dê-me alguém assim e eu farei com que ele fique rico, sem nenhum problema. Mas dê-me alguém com cérebro e imaginação, bem, aí é um pouco mais difícil. Mas, voltando à história, passei mais alguns minutos ao telefone com o Pinguim, ouvindo-o piar sobre como era maravilhoso esse negócio de carne e de frutos do mar: “É tudo comida da mais alta qualidade para os restaurantes”, foi o que ele me assegurou, “Nada além do melhor entre o melhor”. Quer dizer, a coisa toda parecia boa demais para ser verdade, mas Elliot nunca foi um mentiroso. Ele era um pouco ingênuo, talvez, mas definitivamente não era um mentiroso. Então coloquei de lado meu ceticismo, fiz as malas, lotei meu Mercury Cougar 1973 e fui para Nova York soltar a bomba na casa de meus pais. Era fevereiro de 1985. Eu tinha 22 anos na ocasião. E toda a vida pela frente.

CAPÍTULO 7

O NASCIMENTO DE UM VENDEDOR

– Quer dizer então que pegou suas coisas e foi embora? – perguntou a Bruxa, mexendo a cabeça para trás e para a frente.

– Sim – respondi casualmente –, foi exatamente isso que eu fiz. E parti com tudo o que eu tinha no mundo, ou seja, uma mala cheia de roupas sujas e a camisa que estava vestindo. E, claro, os 3 mil dólares faturados no leilão. Quando olho para trás e relembro essas coisas, fico espantado com a facilidade que foi juntar minhas coisas e partir de Baltimore. O apartamento onde eu vivia era um daqueles que você paga mês a mês, eu não tinha móveis com os quais me preocupar, e minhas obrigações financeiras eram basicamente inexistentes. O único problema era que eu estaria morando na casa de meus pais novamente, e posso garantir que não era nada fácil. Os dois ainda estavam morando naquele mesmo apartamento de dois dormitórios onde cresci, justamente o mesmo apartamento para onde jurei nunca mais voltar depois que ficasse rico…

Fiz uma pausa e cocei o queixo, pensativo.

– Na verdade, eles ainda estão morando nesse mesmo apartamento, apesar de todo o dinheiro que meu pai ganhou na Stratton – balancei a cabeça com espanto. – Dá pra imaginar isso? Eu até me ofereci para comprar uma casa para eles quando as coisas estavam bem, mas eles não quiseram se mudar de lá. Pode-se dizer que eles são os últimos sobreviventes daquelas antigas criaturas de hábitos…

– E então você deu a notícia a eles… – o Canalha me interrompeu, impaciente.

– Bem, achei que seria mais fácil se eles digerissem as novidades em pequenas doses, de forma que, antes de sair de Baltimore, já tinha avisado a meus pais que iria desistir da faculdade de odontologia; não informei naquele momento que iria trabalhar como vendedor da empresa de carnes e frutos do mar… Soltei a bomba sobre os dois na sala de estar, que era o local onde todas as conversas familiares importantes aconteciam. Meu pai estava sentado em sua cadeira favorita e minha mãe, no sofá, lendo um livro. Por alguma razão, ainda me lembro qual livro era… Sobre a morte e o morrer… – dei de ombros. – Sei lá, minha mãe sempre gostou dessas coisas meio mórbidas… Meu pai, enquanto isso, se distraía assistindo ao último episódio de um seriado policial e fumando, completamente desligado do que acontecia a sua volta. Naquele momento, sentei-me em frente a meu pai e disse: “Preciso conversar com vocês dois um pouquinho”. Meu pai olhou para minha mãe e falou, em um tom de voz um pouco irritado, “Lee, dá pra desligar a TV por um minuto?”; minha mãe colocou o livro de lado e praticamente correu para desligar a antiga Trinitron. Era assim o relacionamento entre meus pais, Mad Max e Santa Leah. Ela passou a melhor parte de sua vida tentando evitar que ele queimasse um fusível emocional.

E continuei:

– Seja como for, eu disse a eles: “Olhem, essa coisa de ser dentista não é para mim. Tentei um semestre inteiro e agora tenho absoluta certeza de que não serei feliz nessa profissão”. Claro que era mentira, mas eu percebi que se contasse a eles que tinha desistido já no primeiro dia, os dois iriam ficar realmente chateados. Seja como for, minha mãe não estava aceitando muito a ideia. “Eu nunca pensei que fosse ser dentista para sempre”, disse ela. “Eu achava que você iria abrir uma rede de clínicas odontológicas um dia, ou então iria descobrir um novo procedimento, não sei. Mas ainda não é tarde demais…” “Não, mãe, já é tarde demais, sim, eu não vou voltar”, e então olhei para meu pai, pedindo seu apoio. Ele, de fato, era melhor nessas situações. Ele adorava uma boa crise; parecia acalmá-lo de algum jeito, e isso acontece até hoje. Eram as pequenas coisas que o deixavam louco da vida. Eu disse a ele: “Ouça, pai, eu não quero ser dentista, quero ser vendedor. É para isso que eu sirvo, para vender coisas e…”. E então minha mãe pulou do sofá e gritou: “Ah, meu Deus, Max! Vendedor, não! Tudo menos isso!”. Então ela se virou para mim e disse: “Olha o que você já me causou”. Depois abaixou a cabeça e apontou para uma pequena mecha de cabelos grisalhos: “Isso foi quando você largou o colégio e ficou fumando maconha o dia inteiro com aquele horrível Richard Kushner!”. Logo apontou para uma ruga na testa e continuou: “E isso é de quando você inventou de plantar maconha no quarto e disse que era um projeto da aula de ciências! E agora você está saindo da faculdade de odontologia para se tornar um vendedor!”.

– Eu estava lentamente perdendo a paciência com ela. Com um pouco de irritação no meu tom de voz, retruquei: “Eu não vou voltar para aquela faculdade, mãe, e isso é definitivo!”. E ela: “Não é definitivo, nada!”. E eu: “É sim”. E ficamos naquela de bater e rebater até que finalmente Mad Max se intrometeu na discussão: “Vocês querem parar com isso?”, gritou ele. “Caramba!” E balançou a cabeça, descrente. Então olhou para minha mãe e disse: “Ele não vai voltar para a faculdade, Leah. Qual é a utilidade?”. Em seguida, olhou para mim e sorriu calorosamente. Com um leve sotaque britânico, perguntou: “Que tipo de vendedor você gostaria de ser, filho? O que você se vê vendendo?”.

– Seu pai é britânico? – perguntou o TOC. – Eu não sabia disso – o tom da voz dele deixava transparecer alguma surpresa, como se alguém tivesse lhe dado algumas informações muito ruins.

– Não, ele não é realmente britânico – respondi. – Ele só fala com sotaque britânico quando está tentando agir e se comportar de forma mais razoável. Essa é a outra persona de meu pai: Sir Max. É seu alter ego amável. Quando Mad Max se transforma em Sir Max, ele franze os lábios e começa a falar com uma pitada de aristocracia britânica. É bastante notável, na verdade, considerando que ele nunca sequer visitou a Inglaterra – curvei os cantos da boca e encolhi os ombros. – Algumas coisas simplesmente desafiam a lógica, e não vale a pena ponderar sobre isso. Mas Sir Max é o melhor. Ele nunca perde a paciência. Ele é totalmente razoável em todas as situações.

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