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A Tormenta de Espadas

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A Tormenta de Espadas
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– Não sou eu quem lhe disseram para trazer – disse Jojen Reed ao gordo Sam em seus trajes negros, manchados e largos. – É ele.

– Oh. – Sam olhou-o com incerteza. Talvez só então tivesse percebido que Bran era aleijado. – Eu não... não sou suficientemente forte para levá-lo, eu...

– O Hodor pode me levar. – Bran apontou para o cesto. – Eu ando naquilo, nas costas dele.

Sam estava a encará-lo.

– É o irmão de Jon Snow. Aquele que caiu...

– Não – disse Jojen. – Aquele garoto está morto.

– Não conte – avisou Bran. – Por favor.

Sam pareceu confuso por um momento, mas por fim disse:

– Eu... eu sei guardar um segredo. A Goiva também. – Quando olhou para ela, a garota confirmou com a cabeça. – O Jon... o Jon também era meu irmão. Foi o melhor amigo que já tive, mas partiu com Qhorin Meia-Mão para bater as Presas de Gelo e não voltou. Estávamos à espera dele no Punho quando... quando...

– Jon está aqui – disse Bran. – Verão o viu. Estava com um grupo de selvagens, mas eles mataram um homem e Jon pegou o cavalo dele e fugiu. Aposto que foi para Castelo Negro.

Sam virou seus olhos grandes para Meera.

– Tem certeza de que era Jon? Viu-o?

– Sou a Meera – disse Meera com um sorriso. – Verão é...

Uma sombra desprendeu-se da cúpula quebrada lá em cima e saltou através do luar. Apesar da pata ferida, o lobo aterrissou leve e silencioso como um floco de neve. A garota chamada Goiva soltou um ruído assustado e apertou o bebê com tanta força contra si que ele começou a chorar de novo.

– Ele não vai fazer mal a vocês – disse Bran. – Este é o Verão.

– Jon disse que todos vocês tinham lobos. – Sam tirou uma luva. – Eu conheço o Fantasma. – Estendeu uma mão trêmula, com dedos brancos, moles e gordos como pequenas salsichas. Verão aproximou-se, farejou-os e deu uma lambida em sua mão.

Foi então que Bran se decidiu.

– Vamos com você.

– Todos vocês? – Sam pareceu surpreso com a ideia.

Meera despenteou os cabelos de Bran.

– Ele é o nosso príncipe.

Verão deu a volta no poço, farejando. Fez uma pausa no degrau superior e olhou para Bran. Ele quer ir.

– Goiva ficará a salvo se deixá-la aqui até voltar? – perguntou-lhes Sam.

– Deve ficar – disse Meera. – É bem-vinda à nossa fogueira.

Jojen disse:

– O castelo está vazio.

Goiva olhou em volta.

– Craster costumava nos contar histórias de castelos, mas não sabia que eram tão grandes.

Isto são só as cozinhas. Bran perguntou a si mesmo o que ela pensaria quando visse Winterfell, se chegasse a vê-lo.

Demoraram alguns minutos para reunir suas coisas e içar Bran para a cadeira de vime às costas de Hodor. Quando ficaram prontos para partir, Goiva estava sentada junto à fogueira, dando de mamar ao bebê.

– Vai voltar para mim – ela disse a Sam.

– Assim que puder – ele prometeu – e depois vamos para um lugar quente. – Quando ouviu aquilo, parte de Bran questionou-se sobre o que estava fazendo. Será que voltarei para um lugar quente?

– Eu vou na frente, conheço o caminho. – Sam hesitou no topo. – Mas há tantos degraus – suspirou, antes de começar a descer. Jojen seguiu-o, depois ia Verão, depois Hodor com Bran de cavalinho. Meera colocou-se na retaguarda, com a lança e a rede na mão.

Foi uma longa descida. O topo do poço estava banhado em luar, mas ele tornava-se mais estreito e mais sombrio a cada volta que davam. Os passos ecoavam nas pedras úmidas, e os sons de água foram ficando mais altos.

– Devíamos ter trazido tochas? – perguntou Jojen.

– Seus olhos vão se ajustar – disse Sam. – Mantenham uma mão na parede, e não cairão.

O poço tornava-se mais escuro e mais frio a cada volta. Quando Bran finalmente ergueu a cabeça para olhar para cima, a boca do poço já não parecia maior do que meia lua. “Hodor”, sussurrou Hodor, “Hodorhodorhodorhodorhodorhodor”, murmurou o poço em resposta. Os sons de água estavam próximos, mas quando Bran espiou para baixo, viu apenas negrume.

Uma volta ou duas mais tarde, Sam parou de repente. Estava a um quarto de volta de Bran e Hodor, e dois metros mais abaixo, mas Bran quase não o via. Mas via a porta. O Portão Negro, chamara-lhe Sam, mas não era nada negro.

Era represeiro branco, e havia nele um rosto.

Um brilho saía da madeira, como leite e luar, tão fraco que mal parecia tocar em qualquer coisa além da porta propriamente dita, nem sequer em Sam, que estava bem na sua frente. O rosto era velho e pálido, enrugado e encolhido. Parece morto. A boca estava fechada e os olhos também; as faces eram encovadas, a testa mirrada, o queixo caído. Se um homem pudesse viver durante mil anos e não morrer, mas apenas tornar-se mais velho, seu rosto acabaria parecido com este.

A porta abriu os olhos.

Também eram brancos, e cegos.

– Quem é? – perguntou a porta, e o poço sussurrou, “Quem-quem-quem-quem-quem-quem-quem.

– Sou a espada na escuridão – disse Samwell Tarly. – Sou o vigilante nas muralhas. Sou o fogo que arde contra o frio, a luz que traz consigo a alvorada, a trombeta que acorda os que dormem. Sou o escudo que defende os reinos dos homens.

– Então passe – disse a porta. Seus lábios se abriram, se abriram, se abriram e se abriram ainda mais, até que nada restou a não ser uma grande boca escancarada, rodeada por um anel de rugas.

Sam desviou-se e fez sinal para que Jojen passasse na sua frente. Seguiu-se Verão, farejando enquanto seguia, e depois foi a vez de Bran. Hodor abaixou-se, mas não o suficiente. O lábio superior da porta raspou suavemente no topo da cabeça de Bran, e um pingo de água caiu sobre ele e escorreu lentamente por seu nariz. Estava estranhamente quente, e era salgada como uma lágrima.

DAENERYS

Meereen era tão grande quanto Astapor e Yunkai juntas. Tal como suas cidades-irmãs, tinha sido construída de tijolos, mas enquanto Astapor era vermelha e Yunkai amarela, Meereen era feita de tijolos de muitas cores. Suas muralhas eram mais altas do que as de Yunkai e estavam em melhor estado, pontilhadas por baluartes e fixadas em grandes torres defensivas em todos os ângulos. Por trás delas via-se o topo da Grande Pirâmide, enorme contra o céu, uma coisa monstruosa com duzentos e cinquenta metros de altura e uma altaneira harpia de bronze no topo.

– A harpia é uma coisa covarde – disse Daario Naharis quando a viu. – Tem coração de mulher e pernas de galinha. Pouco admira que seus filhos se escondam atrás de muralhas.

Mas o herói não se escondia. Atravessou os portões da cidade, revestido de escamas de cobre e azeviche e montado num corcel branco, cujos jaezes listrados de rosa e branco combinavam com o manto de seda que flutuava dos ombros do homem. A lança que trazia tinha quatro metros e vinte de comprimento, pintada numa espiral de rosa e branco, e seus cabelos haviam sido esculpidos, penteados e laqueados, tomando a forma de dois chifres recurvos de carneiro. Cavalgou de um lado para o outro à sombra das muralhas de tijolos multicoloridos, desafiando os sitiantes a enviar um campeão que o defrontasse em combate singular.

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