Бесплатная библиотека
Читайте книгу на сайте или телефоне
O Festim dos Corvos - Читать Любимую Русскую Полную Книгу 👉 Read-E-Book.com

O Festim dos Corvos

Электронная книга - «O Festim dos Corvos». Краткое содержание книги:

O Festim dos Corvos
1 ... 18 19 20 21 22 23 24 25 26 ... 244
Перейти на страницу:

Quaisquer sonhos que Brienne pudesse ter tido haviam desaparecido quando a aurora a despertou. Sentia as pernas duras como madeira devido ao terreno frio, mas ninguém a molestara, e os seus bens mantinham-se intactos.

Os cavaleiros andantes estavam acordados e em pé. Sor Illifer esfolava um esquilo para o pequeno almoço, enquanto Sor Creighton estava virado para uma árvore, aliviando-se numa boa e longa mijada. Cavaleiros andantes, pensou , velhos, vaidosos, roliços e míopes, mas apesar de tudo homens decentes. Animava-a saber que ainda existiam homens decentes no mundo.

Quebraram o jejum com esquilo assado, papa de bolota e picles, enquanto Sor Creighton a regalava com as suas façanhas na Água Negra, onde matara uma dúzia de temíveis cavaleiros de que ela nunca ouvira falar.

— Oh, foi uma luta fora do comum, senhora — disse — uma rara e sangrenta batalha. — Admitiu que Sor Illifer também lutara nobremente na batalha. O próprio Illifer pouco disse. Quando chegou o momento de reatarem a viagem, os cavaleiros puseram-se um de cada lado dela, como guardas a proteger uma qualquer grande senhora… embora aquela senhora fizesse de ambos os protetores anões e estivesse na ocasião melhor armada e couraçada.

— Alguém passou durante os seus turnos? — perguntou-lhes Brienne.

— Alguém assim como uma donzela de treze anos, com cabelo ruivo? Disse Sor Illifer, o Sem Dinheiro. — Não, senhora. Ninguém.

— Eu tive alguns. — Interpôs Sor Creighton. — Um moço de lavoura qualquer montado num cavalo pigarço, e meia hora mais tarde meia dúzia de homens a pé com bordões e gadanhas. Viram a nossa fogueira, e pararam para deitar um longo olhar aos nossos cavalos, mas eu mostrei-lhes um vislumbre do meu aço e disse-lhes para prosseguirem caminho. Tipos duros, pelo aspecto, e também desesperados, mas não o suficiente para brincar com Sor Creighton Longbough. — Pois não, pensou Brienne, assim tão desesperados, não. Virou a cabeça para esconder o sorriso. Felizmente, Sor Creighton estava demasiado absorto na história da sua épica batalha com o Cavaleiro da Galinha Vermelha para reparar no divertimento da donzela.

Era bom ter companheiros na estrada, mesmo companheiros como aqueles dois.

Era meio dia quando Brienne ouviu cânticos à deriva através das árvores nuas e castanhas.

— Que som é aquele? — Perguntou Sor Creighton.

— Vozes, erguidas em prece. — Brienne conhecia o cântico. Estão a implorar proteção ao Guerreiro e a pedir a Velha que lhes ilumine o caminho.

Sor Illifer, o Sem Dinheiro, descobriu a sua lâmina surrada e freou o cavalo para esperar a chegada do grupo.

— Já estão próximos.

Os cânticos enchiam a floresta como um trovão piedoso. E de súbito a fonte do som surgiu na estrada. Um grupo de irmãos suplicantes seguia à frente, homens mal vestidos e barbudos com vestes de tecido grosseiro, alguns descalços e outros de sandálias. Atrás deles marchavam sessenta homens, mulheres e crianças esfarrapadas, uma porca malhada e várias ovelhas. Vários dos homens traziam machados, e eram mais os que empunhavam cacetes e mocas toscas. Por entre eles seguia uma carroça de duas rodas feita de madeira cinzenta e lascada, contendo uma grande pilha de crânios e bocados quebrados de osso. Quando viram os cavaleiros andantes, os irmãos mendicantes fizeram alto, e o cântico morreu.

— Bons cavaleiros. — Disse um deles — a Mãe ama-vos.

— E a vós, irmão. — Disse Sor Illifer. — Quem sois?

— Pobres companheiros. — Disse um homem grande com um machado.

Apesar do frio da floresta outonal, não trazia camisa, e no peito tinha esculpida uma estrela de sete pontas. Guerreiros ândalos ostentavam estrelas daquelas gravadas na carne quando atravessaram pela primeira vez o mar estreito para esmagar os reinos dos Primeiros Homens.

— Marchamos para a cidade. — Disse uma mulher alta de detrás da carroça — para levar estes ossos sagrados a Baelor, o Abençoado, e procurar o auxílio e a proteção do rei.

— Juntai-vos a nós, amigos. — Exortou um homem magro e pequeno que trajava uma veste de septão no fio e usava um cristal num colar em volta do pescoço. — Westeros tem falta de todas as espadas.

— Nós vamos a Valdocaso — declarou Sor Creighton — mas talvez pudéssemos levar-vos em segurança até Porto Real.

— Caso tenham dinheiro para nos pagar pela escolta. —Acrescentou Sor Illifer, que parecia tão prático como sem dinheiro.

— Os pardais não têm necessidade de ouro — disse o septão.

Sor Creighton não compreendeu.

— Pardais?

— O pardal é a mais humilde e a mais comum das aves, tal como nós somos os mais humildes e mais comuns dos homens. — O septão possuía uma cara magra e angulosa e uma curta barba, grisalha e castanha. O seu cabelo fino estava puxado para trás e atado atrás da cabeça e tinha os pés nus e negros, nodosos e duros como raízes de uma árvore.

— Estes são os ossos de homens santos, assassinados pela sua fé.

Serviram os Sete até a morte. Alguns morreram à fome, outros foram torturados. Septos foram pilhados, donzelas e mães violadas por homens ímpios e adoradores de demônios. Até irmãs silenciosas foram molestadas.

A nossa Mãe no Céu grita na sua angústia. É a hora de todos os cavaleiros ungidos abandonarem os seus senhores terrenos e defenderem a nossa Fé Sagrada. Vinde conosco para a cidade, caso amais os Sete.

— Tenho bastante amor por eles. Disse Illifer — mas preciso comer.

— Tal como todos os filhos da Mãe.

— Vamos para Valdocaso — disse Sor Illifer terminantemente. Um dos irmãos mendicantes cuspiu, e uma mulher soltou um gemido.

— São falsos cavaleiros — disse o grandalhão com a estrela gravada no peito. Vários dos outros brandiram cacetes. O septão descalço acalmou-os com uma palavra.

— Não julgueis, pois o julgamento cabe ao Pai. Deixai-os passar em paz. Eles também são pobres companheiros, perdidos na terra.

Brienne fez a égua avançar.

— A minha irmã também está perdida. Uma moça de treze anos com cabelo ruivo, bonita de se ver.

— Todos os filhos da Mãe são bonitos de se ver. Que a Donzela vigie esta pobre moça… e a vós também, julgo eu. — O septão pôs um dos tirantes da carroça ao ombro e começou a puxar. Os irmãos mendicantes recomeçaram o cântico. Brienne e os cavaleiros andantes ficaram parados, montados nos cavalos, enquanto a procissão passava lentamente por eles, seguindo a estrada sulcada na direção de Rosby. O som dos seus cânticos foi lentamente minguando até morrer. Sor Creighton ergueu uma nádega da sela para coçar o traseiro.

— Que tipo de homem mataria um santo septão?

Brienne conhecia esse tipo de homem. Perto de Lagoa da Donzela, recordava-se, os Bravos Companheiros tinham pendurado um septão, de cabeça para baixo, do ramo de uma árvore, e usado o seu cadáver para praticar tiro ao alvo. Perguntou a si própria se os seus ossos estariam empilhados naquela carroça com todos os outros.

1 ... 18 19 20 21 22 23 24 25 26 ... 244
Перейти на страницу:
0
Сюжет
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
  • 6
  • 7
  • 8
  • 9
  • 10
0
Атмосфера
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
  • 6
  • 7
  • 8
  • 9
  • 10
0
Главный герой
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
  • 6
  • 7
  • 8
  • 9
  • 10
0
Общее впечатление
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
  • 6
  • 7
  • 8
  • 9
  • 10
Итоговая оценка: 0.0 из 10 (голосов: 0 / История оценок)