A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
Tinham estado afastados das ameias apenas por alguns momentos, mas embaixo tudo havia mudado. Uma dúzia de irmãos negros e alguns dos homens de Vila Toupeira ainda resistiam em cima dos caixotes e barris, mas os selvagens estavam escalando a barricada ao longo de todo o crescente, empurrando-os para trás. Jon viu um deles espetar a lança na barriga de Rast, de baixo para cima e com tanta força que o ergueu no ar. O Jovem Henly estava morto e o Velho Henly, moribundo e cercado por inimigos. Jon viu o Calma rodopiando e desferindo golpes em todas as direções, rindo como um louco, fazendo o manto esvoaçar ao saltar de barril em barril. Um machado de bronze atingiu-o logo abaixo do joelho, e o riso transformou-se num grito borbulhante.
– Eles estão quebrando – disse o Cetim.
– Não – disse Jon –, já quebraram.
Aconteceu rapidamente. Um dos toupeiras fugiu e depois outro, e subitamente todos os aldeões estavam largando as armas e abandonando a barricada. Os irmãos eram muito poucos para aguentar sozinhos. Jon viu-os tentar formar uma linha para recuar de maneira ordenada, mas os Thenns submergiram-nos com lanças e machados, e então também eles se puseram em fuga. Dilly Dornês escorregou e caiu de cabeça, e um selvagem plantou uma lança entre suas omoplatas. Barricas, lento e sem fôlego, tinha já quase chegado ao degrau inferior quando um Thenn agarrou na extremidade de seu manto e o obrigou a se virar com um puxão... mas um dardo de besta abateu o homem antes que desse tempo para seu machado cair.
– Acertei – exultou Cetim, enquanto Barricas cambaleava na direção da escada e começava a subir os degraus, sobre os joelhos e as mãos.
O portão está perdido. Donal Noye fechara-o e acorrentara-o, mas estava pronto para ser tomado, com as barras de ferro cintilando, vermelhas, com a luz refletida dos incêndios, e o túnel frio e negro por trás. Ninguém tinha recuado para defendê-lo; o único local seguro era o topo da Muralha, depois de subir duzentos metros ao longo da ziguezagueante escada de madeira.
– A que deuses você reza? – perguntou Jon ao Cetim.
– Aos Sete – disse o rapaz de Vilavelha.
– Então reze – disse-lhe Jon. – Reze aos seus deuses modernos, que eu rezo aos meus antigos. – Tudo mudava ali.
Com a confusão junto ao alçapão, Jon tinha se esquecido de encher a aljava. Atravessou de volta o topo da torre, mancando, e encheu-a, pegando também o arco. A panela não havia se movido de onde a deixara, parecia que por ora se encontravam suficientemente seguros. A dança avançou, e nós estamos a observá-la da galeria, pensou enquanto coxeava de volta. Cetim disparava dardos contra os selvagens que subiam os degraus, e escondia-se atrás de um merlão para recarregar a besta. Além de ser bonito, ele também é rápido.
A verdadeira batalha desenrolava-se nos degraus. Noye tinha posicionado lanceiros nos dois patamares inferiores, mas a fuga precipitada dos aldeãos deixou-os em pânico e tinham-se juntado à debandada, correndo na direção do terceiro patamar com os Thenns a matar todos os que ficassem para trás. Os arqueiros e besteiros nos patamares superiores estavam tentando disparar contra a cabeça dos selvagens. Jon encaixou uma flecha, puxou e soltou, e sentiu-se satisfeito quando um dos Thenns caiu quicando pelos degraus. O calor dos incêndios fazia a Muralha chorar, e as chamas dançavam e cintilavam contra o gelo. Os degraus balançavam com os passos dos homens que tentavam se salvar.
Jon voltou a encaixar, puxar e soltar, mas só havia um Jon e um Cetim, contra uns bons sessenta ou setenta Thenns que arremetiam escadas acima, matando enquanto avançavam, bêbados de vitória. No quarto patamar, três irmãos de manto negro resistiram, ombro com ombro, de espadas na mão, e a batalha passou de novo, brevemente, a um corpo a corpo. Mas eles eram só três, e em pouco tempo a maré de selvagens os submergiu e seu sangue pingou degraus abaixo.
“Um homem nunca está tão vulnerável numa batalha como quando foge. Um homem em fuga é para um soldado como um animal ferido. Alimenta sua sede de sangue”, tinha dito certo dia Lorde Eddard a Jon. Os arqueiros no quinto patamar fugiram antes mesmo de a batalha chegar até eles. Era uma debandada, uma rubra debandada.
– Vá buscar os archotes – disse Jon a Cetim. Havia quatro empilhados junto à fogueira, com as pontas enroladas em trapos empapados em azeite. Havia também uma dúzia de flechas incendiárias. O rapaz de Vilavelha enfiou um archote na fogueira até deixá-lo ardendo bem, e trouxe os outros debaixo do braço, por acender. Parecia de novo assustado, e tinha motivos para isso. Jon também estava assustado.
Foi então que viu Styr. O Magnar estava subindo a barricada, por cima das sacas de cereais rasgadas, barris quebrados e dos corpos de amigos e inimigos. Sua armadura de escamas de bronze cintilava, escura, à luz das chamas. Styr tinha tirado o elmo para estudar a cena de seu triunfo, e o filho da puta careca e sem orelhas estava sorrindo. Na mão, trazia uma longa lança de represeiro com uma ornamentada ponta de bronze. Quando viu o portão, apontou para ele com a lança e ladrou qualquer coisa no Idioma Antigo para a meia dúzia de Thenns que o rodeava. Tarde demais, pensou Jon. Você devia ter saltado a barricada à frente de seus homens, podia ter sido capaz de salvar alguns.
Lá em cima soou um berrante de guerra, um sopro longo e grave. Não no topo da Muralha, mas no nono patamar, a cerca de sessenta metros de altura, onde Donal Noye se encontrava.
Jon encaixou uma flecha incendiária no arco, e Cetim acendeu-a com o archote. Aproximou-se do parapeito, puxou, apontou, soltou. Fitas de chamas perseguiram a haste, que ganhou velocidade enquanto caía e atingiu o alvo com um baque surdo, crepitando.
Não era Styr. Eram os degraus. Ou, mais precisamente, os barris, barricas e sacas que Donal Noye havia empilhado por baixo dos degraus, até a altura do primeiro patamar; os barris de piche e azeite para lâmpadas, os sacos de folhas e os trapos embebidos em óleo, as toras rachadas, as cascas de árvore e as aparas de madeira. “Outra vez”, disse Jon, e “Outra vez”, e “Outra vez”. Outros arqueiros estavam também disparando, do topo de todas as torres dentro de alcance, alguns lançando suas flechas para o alto, em grandes arcos, para caírem à frente da Muralha. Quando Jon ficou sem flechas incendiárias, ele e Cetim passaram a acender os archotes e a atirá-los das ameias.
Lá em cima, outro incêndio desabrochava. Os velhos degraus de madeira tinham bebido o óleo como esponjas, e Donal Noye empapara-os, do nono patamar até o sétimo. Jon só podia ter esperança de que a maior parte de sua gente tivesse subido até um lugar seguro antes de Noye arremessar os archotes. Os irmãos negros, pelo menos, sabiam do plano, mas os aldeões não.
O vento e o fogo fizeram o resto. Tudo que Jon precisou fazer foi observar. Com chamas por baixo e por cima, os selvagens não tinham para onde ir. Alguns continuaram a subir, e morreram. Alguns desceram, e morreram. Alguns ficaram onde estavam. Também morreram. Muitos saltaram dos degraus antes de se incendiarem, e morreram da queda. Vinte e poucos Thenns ainda se apertavam uns contra os outros entre os incêndios quando o gelo rachou devido ao calor e todo o terço inferior da escada se desprendeu, com várias toneladas de gelo. Essa foi a última vez que Jon viu Styr, o Magnar de Thenn. A Muralha defende-se, pensou.
Jon pediu a Cetim para ajudá-lo a descer até o pátio. A perna ferida doía tanto que quase não conseguia andar, mesmo com a muleta.
– Traga a tocha – disse ao rapaz de Vilavelha. – Preciso procurar uma pessoa. – Nos degraus havia principalmente Thenns. Certamente alguns membros do povo livre tinham escapado. Gente de Mance, não do Magnar. Ela podia ter sido um deles. Por isso desceram, passando por corpos de homens que tinham testado o alçapão, e Jon ficou vagueando pela escuridão com a muleta debaixo de um braço e o outro em volta dos ombros de um rapaz que tinha sido prostituto em Vilavelha.