O Olho do Mundo
- Автор: Джордан Роберт
- Серия: A Roda do Tempo #1
- Год: 2013
- Язык: португальский
- Переводчик: Fábio Fernandes
- Жанр: Фэнтези
Электронная книга - «O Olho do Mundo». Краткое содержание книги:
Аннотация
O Olho do MundoA Sabedoria olhou em silêncio para Lan por um longo tempo, depois serviu uma xícara de chá e a levou para ele. Quando ele estendeu a mão com um murmúrio de agradecimento, ela não soltou a xícara imediatamente.
— Eu devia saber que você era um rei — disse ela baixinho. Seus olhos estavam vidrados no rosto do Guardião, mas sua voz tremia levemente.
Lan olhou para ela com a mesma intensidade. A Rand, parecia que o rosto do Guardião chegara mesmo a se suavizar.
— Eu não sou um rei, Nynaeve. Apenas um homem. Um homem sem nada no nome, assim como o mais simples fazendeiro.
A voz de Nynaeve ficou mais firme.
— Algumas mulheres não pedem terra nem ouro. Apenas o homem.
— E o homem que pediria a ela para aceitar tão pouco não seria digno dela. Você é uma mulher notável, linda como o nascer do sol, feroz como um guerreiro. Você é uma leoa, Sabedoria.
— Sabedorias raramente se casam. — Ela fez uma pausa para respirar fundo, como se estivesse buscando forças. — Mas, se eu for a Tar Valon, pode ser que eu me torne algo que não uma Sabedoria.
— É tão raro para Aes Sedai se casarem quanto Sabedorias. Poucos homens conseguem viver com tanto poder numa esposa, ofuscando o brilho deles com o dela, mesmo sem querer.
— Alguns homens são fortes o bastante. Eu conheço um assim.
Se pudesse existir qualquer dúvida, o olhar dela não deixava nenhuma sobre de quem ela falava.
— Tudo o que tenho é uma espada, e uma guerra que não posso vencer, mas jamais posso parar de lutar.
— Eu já lhe disse que não ligo para nada disso. Luz, você já me fez dizer mais do que é adequado. Quer me envergonhar a ponto de propor a você?
— Eu jamais a envergonharei. — O tom gentil, como uma carícia, soou estranho aos ouvidos de Rand na voz do Guardião, mas fez os olhos de Nynaeve brilharem. — Eu odiarei o homem que você escolher porque ele não sou eu, e o amarei se ele fizer você sorrir. Nenhuma mulher merece a certeza do negro da viúva como dote, e você menos que todas. — Ele deixou a xícara intocada no chão e se levantou. — Preciso ver os cavalos.
Nynaeve permaneceu ali, ajoelhada, depois que ele havia partido.
Com ou sem sono, Rand fechou os olhos. Não achou que a Sabedoria iria gostar se ele a visse chorar.
49
O Tenebroso se Agita
A aurora despertou Rand com um susto, o sol triste pinicando suas pálpebras conforme ascendia com relutância acima das árvores da Praga. Mesmo tão cedo, o calor cobria as terras podres como um cobertor pesado. Permaneceu deitado de costas com a cabeça no rolo de cobertor que servia de travesseiro, olhando para o céu. Ele ainda era azul, o céu. Mesmo ali, isso, pelo menos, estava intocado.
Ficou surpreso ao perceber que havia dormido. Por um minuto, a tênue memória de uma conversa ouvida sem querer pareceu parte de um sonho. Então ele viu os olhos avermelhados de Nynaeve; ela não dormira, obviamente. O rosto de Lan estava mais endurecido que nunca, como se ele tivesse voltado a usar uma máscara e não pretendesse retirá-la novamente.
Egwene se aproximou e se agachou ao lado da Sabedoria, o rosto preocupado. Rand não conseguia ouvir o que elas diziam. Egwene falou, e Nynaeve balançou a cabeça. Egwene disse mais alguma coisa, e Nynaeve dispensou-a com um gesto. Ao invés de ir, Egwene abaixou a cabeça mais perto, e por alguns minutos as duas mulheres conversaram ainda mais baixo, com Nynaeve ainda balançando a cabeça. A Sabedoria terminou a conversa com uma risada, abraçando Egwene e, por sua expressão, falando algo de apaziguador. Mas, quando Egwene se levantou, olhou com raiva para o Guardião. Lan não pareceu reparar; ele simplesmente não olhava na direção de Nynaeve.
Sacudindo a cabeça, Rand recolheu suas coisas e lavou apressadamente as mãos, o rosto e os dentes com o pouco de água que Lan permitia para essas coisas. Ficou se perguntando se as mulheres tinham como ler a mente dos homens. Era um pensamento perturbador. Todas as mulheres são Aes Sedai. Dizendo a si mesmo que estava deixando a Praga afetá-lo, enxaguou a boca e se apressou para colocar a sela no alazão.
Era um pouco desconcertante ver o acampamento desaparecer antes de chegar aos cavalos, mas, quando ele estava terminando de apertar a fivela da sela, todos na colina voltaram à vista num piscar de olhos. Todos estavam apressados.
As sete torres se destacavam na luz da manhã, tocos arruinados distantes, como imensas colinas áridas que deixavam entrever uma grandeza desaparecida. Os cem lagos eram de um azul plácido e liso. Nada perturbava a superfície naquela manhã. Quando olhava para os lagos e as torres em ruínas, Rand quase conseguia ignorar as coisas doentias que cresciam ao redor da colina. Lan não parecia evitar olhar para as torres, assim como também não parecia estar evitando Nynaeve, mas de algum modo ele não olhava enquanto se concentrava em prepará-los para partir.
Após os cestos de vime serem presos ao cavalo de carga, depois que toda migalha, vestígio e fragmento foram ocultados e todos estavam montados, a Aes Sedai ficou parada no meio do topo da colina de olhos fechados, sem parecer respirar. Para Rand nada estava acontecendo, mas Nynaeve e Egwene tremiam, apesar do calor, e esfregavam os braços com força. As mãos de Egwene subitamente pararam, e ela abriu a boca, encarando a Sabedoria. Antes que pudesse falar, Nynaeve também parou de esfregar os braços e as duas se entreolharam. Então Egwene assentiu e sorriu, e depois de um instante Nynaeve fez o mesmo, embora seu sorriso não fosse muito animado.
Rand esfregou os dedos nos cabelos, já mais molhados de suor do que com a água que havia jogado no rosto. Ele tinha certeza de que havia alguma coisa naquela troca de olhares silenciosa que deveria compreender, mas aquela sensação leve como uma pluma em sua mente desapareceu antes que ele conseguisse captá-la.
— O que estamos esperando? — Mat quis saber, o cachecol abaixado sobre a testa. Ele estava com o arco apoiado no cepilho da sela com uma flecha encaixada, e sua aljava puxada no cinto para que a alcançasse mais facilmente.
Moiraine abriu os olhos e começou a descer a colina.
— Que eu remova o último vestígio do que fiz aqui ontem à noite. Os resíduos teriam desaparecido sozinhos em um dia, mas não vou correr nenhum risco que possa evitar agora. Estamos perto demais, e a Sombra é forte demais aqui. Lan?
O Guardião esperou apenas que ela se acomodasse na sela de Aldieb antes de levá-los para o norte, na direção das Montanhas de Dhoom, que assomavam, próximas. Até mesmo ao nascer do sol os picos se erguiam negros e sem vida, como dentes quebrados, e se estendiam, como uma muralha, para oeste e leste até onde os olhos podiam ver.
— Chegaremos ao Olho hoje, Moiraine Sedai? — perguntou Egwene.
A Aes Sedai lançou um olhar de esguelha a Loial.
— Espero que sim. Quando o encontrei antes, ele estava logo do outro lado das montanhas, no sopé dos desfiladeiros.
— Ele diz que o Olho se move — disse Mat, indicando Loial com a cabeça. — E se não estiver onde você está esperando?
— Então continuaremos a caçar até o encontrarmos. O Homem Verde pressente a necessidade, e não pode existir necessidade maior do que a nossa. A nossa necessidade é a esperança do mundo.
À medida que as montanhas se aproximavam, o mesmo acontecia com a verdadeira Praga. Onde uma folha havia sido avistada com pintas pretas e amarelas antes, agora a folhagem caía molhada diante de seus olhos, quebrando com o peso de sua própria corrupção. As próprias árvores eram coisas torturadas e aleijadas, galhos retorcidos arranhando o céu como se implorando pela misericórdia de algum poder que se recusava a ouvir. A seiva escorria como pus das cascas rachadas e abertas. Como se nada verdadeiramente sólido lhes restasse, as árvores pareciam tremer com a passagem dos cavalos.
— Parece que elas querem nos agarrar — disse Mat, nervoso. Nynaeve lhe dirigiu um olhar exasperado, e ele acrescentou ferozmente: — Mas parece, ora.