Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
Электронная книга - «Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]». Краткое содержание книги:
Young logo revelou-se tão hábil administrador quanto chefe determinado. Mapas e cartas foram preparados projetando a futura cidade. Nos arredores, as terras foram divididas e distribuídas segundo a posição de cada indivíduo. O comerciante dedicou-se a seu negócio e o artesão a seu ofício. Ruas e praças surgiram na cidade como num passe de mágica. No campo, homens cercavam e drenavam; aravam e plantavam.
O verão seguinte encontrou a terra coberta pelo ouro dos trigais. Tudo prosperava naquela estranha comunidade. Acima de tudo, o grande templo, construído no centro da, cidade, tornava-se cada vez maior e mais alto. Desde as primeiras luzes da manhã até as últimas do anoitecer, as batidas do martelo e o ruído das serras eram incessantes no monumento que os imigrantes ergueram àquele que os conduzira sãos e salvos por entre tantos perigos.
Os resgatados, John Ferrier e a menina que partilhara de sua sorte e tinha sido adotada por ele como filha, acompanharam os mórmons até o fim de sua peregrinação. A pequena Lucy Ferrier ficava muito à vontade na carroça do Anciãó Stangerson, moradia que ela dividia com as três esposas do mórmon e com seu filho, um rapazinho de doze anos, teimoso e precoce. Tendo superado, com a facilidade da infância, o choque causado pela perda da mãe, Lucy logo se tornou a preferida das mulheres e adaptou-se à nova vida na casa ambulante de teto de lona. Enquanto isso, Ferrier, recuperado de suas privações, distinguia-se como um guia útil e um infatigável caçador.
Conquistou tão rapidamente a estima de seus novos companheiros que, quando chegaram ao fim da peregrinação, foi decidido, por unanimidade, que ele receberia uma porção de terra tão vasta e tão fértil quanto qualquer um dos colonos, com exceção do próprio Young, e de Stangerson, Kemball, Johnston e Drebber, que eram os quatro oficiais mais importantes da Igreja.
Na terra que assim adquiriu, John Ferrier construiu uma sólida casa de toros de madeira, que recebeu tantos acréscimos em anos sucessivos que acabou se transformando numa espaçosa moradia. Era um homem dotado de senso prático, tão hábil nos negócios quanto no uso das mãos. Sua férrea constituição permitia-lhe trabalhar dia e noite, lavrando e melhorando suas terras. Sendo assim, seu lote e tudo que pertencia a ele prosperaram extraordinariamente. Em três anos, era o de melhor condição entre seus vizinhos, em seis, um sujeito abastado, em nove, um homem rico e, em doze, não havia, em toda Salt Lake City, meia dúzia de homens que pudessem se comparar com ele. Do grande mar interior até as distantes montanhas Wahsatch não existia nome mais conhecido que o de John Ferrier.
Em apenas um ponto, apenas um, ele feria as suscetibilidades de seus confrades. Não houve argumento ou persuasão que o induzisse a formar um harém como seus companheiros. Nunca justificou a persistente recusa, satisfazendo-se em manter firme e resolutamente sua decisão. Alguns o acusavam de ter pouca convicção religiosa; outros, de ser tão ávido por dinheiro que relutava em aumentar despesas. Outros, ainda, falavam em um antigo amor, e numa moça loira que havia se consumido de paixão na costa atlântica. Fosse qual fosse a razão, Ferrier permaneceu radicalmente celibatário.
Em qualquer outro aspecto, porém, ele vivia de acordo com a religião da jovem comunidade, conquistando a fama de ser um homem reto e ortodoxo.
Lucy Ferrier cresceu na casa de madeira e em tudo assistia seu pai adotivo. O ar puro da montanha e o bálsamo dos pinheiros foram a ama e mãe da menina. Ano após ano, ela ficava mais alta e mais forte, o rosto mais corado e o passo mais elástico. Muitos daqueles que passavam pela estrada principal, ao longo das terras de Ferrier, reviveram pensamentos esquecidos no tempo do mar aquela figura jovem e ágil passeando pelos trigais ou galopando no cavalo de seu pai com a desenvoltura e a graça de uma verdadeira filha do oeste. Foi assim que o botão se transformou em flor, e o ano em que seu pai foi o mais rico entre todos os fazendeiros foi o mesmo em que ela se tornou a mais bela moça americana que poderia ser encontrada na costa do Pacífico.
Não foi o pai, no entanto, o primeiro a descobrir que a menina havia se transformado em mulher. Em tais casos, isso raramente acontece. É uma mudança muito sutil e demasiado gradual para ser medida por datas.
Menos do que todos percebe-o a própria jovem, antes que o timbre de uma voz ou o toque de uma mão deixe seu coração pulsando forte dentro do peito. Só então ela descobre, com um misto de orgulho e temor, que uma natureza nova e mais forte despertou dentro dela. Poucas não evocam esse dia, lembrando o pequeno acidente que anunciou o surgimento dessa vida nova. Na vida de Lucy Ferrier, o episódio foi bastante sério em si mesmo, além da influência futura que teria em seu destino e no de muitas outras pessoas.
Era uma cálida manhã de junho e os Santos dos Últimos Dias estavam tão ocupados quanto as abelhas, cuja colméia haviam escolhido para seu emblema. Nos campos e nas ruas soava o mesmo zunido de trabalho humano. Desciam as estradas poeirentas longas filas de mulas carregadas, todas a caminho do oeste, porque irrompera a febre de ouro na Califórnia, e a rota por terra atravessava a cidade dos Eleitos. Havia também rebanhos de ovelhas e bois vindos de pastagens distantes, filas de imigrantes cansados, homens e cavalos, todos fatigados pela interminável jornada.
Por entre essa mistura, abrindo caminho com a habilidade de uma amazona perfeita, galopava Lucy Ferrier, com o lindo rosto corado pelo exercicio e os longos cabelos castanhos soltos ao vento. O pai lhe dera uma incumbência para cumprir na cidade e ela estava empenhada nisso, como em tantas outras vezes, com toda a intrepidez da juventude, pensando apenas em sua tarefa e em como agiria. Os empoeirados viajantes a olhavam com espanto e mesmo os índios impassíveis, enrolados em suas peles, cederam em seu costumeiro estoicismo, encantando-se com a beleza da moça cara-pálida.
Ela já havia atingido a entrada da cidade quando se deparou com a estrada bloqueada por uma grande manada, conduzida por meia dúzia de vaqueiros rudes vindos das planícies. Impaciente, tentou ultrapassar esse obstáculo, avançando com seu cavalo no que parecia ser um vazio no meio do gado. Mal ela havia entrado, no entanto, e os animais fecharam-se atrás dela, deixando-a inteiramente cercada pela corrente em movimento de gado de chifres longos e olhos ferozes.
Acostumada como era a lidar com gado, ela não se alarmou, aproveitando todas as oportunidades para avançar com seu cavalo, na esperança de abrir caminho.
Por desgraça, tenha sido por acidente ou desígnio, os chifres de uma das reses bateram violentamente nos flancos do cavalo, excitando-o até a loucura. De imediato, o animal empinou-se nas patas traseiras, relinchando com fúria, e pôs-se a saltar e a corcovear de tal maneira que teria derrubado qualquer cavaleiro menos experiente. A situação era muito perigosa. Cada pulo do cavalo assustado o colocava contra os chifres novamente, deixando-o mais enlouquecido. Tudo que ela pôde fazer foi manter-se sobre a sela, uma vez que um escorregão significaria uma morte terrível sob as patas de animais pesados e enfurecidos.
Não sendo acostumada a enfrentar emergências, sua cabeça começou a dar voltas e foi perdendo o controle das rédeas. Sufocada pela crescente nuvem de poeira e também pela exalação dos animais em luta, ela teria desistido de resistir e se desesperado, se uma voz amiga, a seu lado, não lhe garantisse que seria socorrida. No mesmo momento, uma mão morena e musculosa conteve pelas rédeas o cavalo assustado, forçando caminho entre a manada até levá-la para fora dali.
- Espero que não esteja ferida, senhorita - disse com respeito seu salvador.
Ela olhou para seu rosto escuro e enérgico e riu com vontade.