A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
O qohorik quase cuspiu o vinho.
– Regifida? – tinha uma atadura desajeitada no lado esquerdo do rosto e o linho que cobria sua orelha estava manchado de sangue.
– Tire-a dali.
– Não fe meta nifto, Regifida, a menof que queira outro coto. – Brandiu uma taça de vinho. – O feu alfe fêmea arrancou-me uma orelha com of dentef. Pouco admira que o pai não queira refgatar um monftrengo deftes.
Um rugido fez Jaime se virar. O urso tinha dois metros e quarenta de altura. Gregor Clegane com pelagem, pensou, embora provavelmente mais esperto. O animal não tinha o alcance da Montanha com aquela sua monstruosa espada, porém.
Berrando de fúria, o urso mostrou uma boca cheia de grandes dentes amarelos e depois voltou a cair de quatro e arremeteu diretamente contra Brienne. Aí está a sua oportunidade, pensou Jaime. Ataque! Agora!
Mas, em vez disso, ela furou-o ineficazmente com a ponta da espada. O urso recuou, e avançou logo de seguida, urrando. Brienne deslizou para a esquerda e voltou a lançar uma estocada à cara do urso. Dessa vez, ele ergueu uma pata para afastar a espada com uma pancada.
Ele está cauteloso, percebeu Jaime. Já defrontou outros homens antes. Sabe que espadas e lanças podem feri-lo. Mas isso não o manterá afastado dela por muito tempo.
– Mate-o! – gritou, mas sua voz perdeu-se no meio de todos os outros gritos.
Se Brienne ouviu, não deu sinal. Moveu-se em volta da arena, mantendo as costas viradas para o muro. Perto demais. Se o urso a encurralar contra o muro...
O animal virou-se desajeitadamente, longe e depressa demais. Rápida como uma gata, Brienne mudou de direção. Aí está a garota de que me lembro. Deu um salto adiante para lançar um golpe às costas do urso. Rugindo, a fera voltou a se levantar nas patas traseiras. Brienne afastou-se precipitadamente. Onde está o sangue? Então, de repente, compreendeu.
– Deu uma espada de torneio a ela.
O bode zurrou uma gargalhada, fazendo chover sobre Jaime vinho e cuspe.
– Claro que fim.
– Eu pago o maldito resgate dela. Ouro, safiras, o que quiser. Tire-a dali.
– Quer a garota? Vá bufcá-la.
E foi o que ele fez.
Jaime pôs a mão boa no parapeito de mármore e saltou por cima, rolando ao atingir a areia. O urso virou-se ao ouvir o pof, farejando, observando o novo intruso com precaução. Jaime apoiou-se num joelho. Bem, e o que é que, com os sete infernos, eu faço agora? Encheu o punho de areia.
– Regicida? – ouviu Brienne dizer, estupefata.
– Jaime. – Desdobrou-se, atirando a areia na cara do urso. O animal socou o ar e rugiu como brasas.
– O que você está fazendo aqui?
– Uma estupidez. Fique atrás de mim. – Descreveu um círculo na direção dela, colocando-se entre Brienne e o urso.
– Fique você atrás. Eu tenho a espada.
– Uma espada sem ponta e sem gume. Fique atrás de mim! – viu uma coisa meio enterrada na areia e apanhou-a com a mão boa. O objeto revelou ser um maxilar humano, com um pouco de carne esverdeada ainda presa ao osso, repleto de larvas. Encantador, pensou, perguntando a si mesmo de quem seria a cara que tinha na mão. O urso aproximava-se lentamente, e Jaime sacudiu o braço e atirou osso, carne e larvas na cabeça do urso. Errou por um bom metro. Devia cortar também a mão esquerda, de tão útil que ela me é.
Brienne tentou avançar em volta dele, mas Jaime deu-lhe um pontapé nas pernas e fez com que se desequilibrasse. A garota caiu na areia, agarrada à espada inútil. Jaime escarranchou-se sobre ela, e o urso avançou sobre ambos.
Ouviu-se um profundo tuang, e uma haste com penas brotou de repente sob o olho esquerdo da fera. Sangue e saliva escorreram-lhe da boca aberta, e outro dardo acertou sua pata. O urso rugiu, empinou-se. Voltou a ver Jaime e Brienne e voltou a se arrastar na direção deles. Mais bestas dispararam, rasgando pelagem e carne com seus dardos. A tão curta distância, os besteiros dificilmente falhariam. Os dardos atingiam o urso com a força de maças, mas o animal deu outro passo. Pobre, burro e corajoso bruto. Quando a fera tentou golpeá-lo, afastou-se dançando, gritando, fazendo voar areia. O urso virou-se para seguir o homem que o atormentava e levou mais dois dardos no dorso. Deu um último rosnado trovejante, sentou-se sobre os quartos traseiros, estendeu-se na areia manchada de sangue e morreu.
Brienne ajoelhou-se, agarrando a espada e respirando rápida e irregularmente. Os besteiros de Pernas-de-Aço estavam esticando as cordas de suas bestas e recarregando-as enquanto os Saltimbancos Sangrentos gritavam-lhes xingamentos e ameaças. Jaime viu que Rorge e Três Dedos tinham espadas desembainhadas e Zollo estava desenrolando o chicote.
– Vofê matou o meu urfo! – guinchou Vargo Hoat.
– E sirvo-lhe o mesmo prato se me causar encrenca – atirou Pernas-de-Aço em resposta. – Vamos levar a garota.
– O nome dela é Brienne – disse Jaime. – Brienne, a donzela de Tarth. Ainda é donzela, espero?
O largo rosto grosseiro da garota ficou vermelho.
– Sim.
– Oh, ótimo – disse Jaime. – Só salvo donzelas. – Dirigindo-se a Hoat, disse: – Terá o seu resgate. Por nós dois. Um Lannister paga suas dívidas. Agora vá buscar cordas e tire-nos daqui.
– Foda-se o resgate – rosnou Rorge. – Mate-os, Hoat. Senão vai acabar desejando ter acabado com eles!
O qohorik hesitou. Metade de seus homens estavam bêbados; os nortenhos, sóbrios como pedras, e eram duas vezes mais numerosos. Alguns dos besteiros já estavam recarregados àquela altura.
– Pufem-nof pra fora – disse Hoat e depois, para Jaime: – Defidi fer mifericordiofo. Diga ao fenhor feu pai.
– Direi, senhor. – Não que isso lhe sirva para alguma coisa.
Foi só depois de estarem a meia légua de Harrenhal e fora do alcance dos arqueiros nas muralhas que Walton Pernas-de-Aço mostrou a sua ira.
– Está louco, Regicida? Pretendia morrer? Nenhum homem pode lutar com um urso de mãos vazias!
– Uma mão vazia e um coto vazio – corrigiu Jaime. – Mas eu tinha esperança de que matasse o animal antes que ele me matasse. De outra forma, Lorde Bolton iria descascá--lo como a uma laranja, não é verdade?
Pernas-de-Aço amaldiçoou-o e chamou-o de Lannister idiota, esporeou o cavalo e galopou ao longo da coluna.
– Sor Jaime? – mesmo com cetim cor-de-rosa sujo e renda rasgada, Brienne parecia mais um homem de vestido do que uma mulher. – Sinto-me grata, mas... você estava bem longe. Por que voltou?
Veio à sua mente uma dúzia de ditos de espírito, cada um mais cruel do que o anterior, mas Jaime limitou-se a encolher os ombros.
– Sonhei com você – disse.
CATELYN
Robb despediu-se três vezes de sua jovem rainha. Uma vez no bosque sagrado, perante a árvore-coração, à vista dos deuses e dos homens. A segunda vez, por baixo da porta levadiça, onde Jeyne o deixou partir com um longo abraço e um beijo ainda mais longo. E, por fim, uma hora depois de atravessar o Pedregoso, quando a garota chegou a galope num cavalo coberto de espuma para suplicar ao seu jovem rei que a levasse junto.
Catelyn viu que Robb ficou tocado por aquele gesto, mas também envergonhado. O dia estava úmido e cinzento, tinha começado a garoar e a última coisa que queria era interromper a marcha para ficar no molhado consolando uma jovem esposa chorosa diante de metade de seu exército. Ele fala com ela gentilmente, pensou ao vê-los juntos, mas por baixo existe irritação.