O jardim de Rama
- Автор: Ли Джентри, Кларк Артур Чарльз
- Серия: Рама #3
- Год: 1991
- Язык: португальский
- Год: Nova Fronteira
- ISBN: 85-209-0584-6
- Переводчик: Barbara Heliodora
- Жанр: Научная фантастика
Электронная книга - «O jardim de Rama». Краткое содержание книги:
Antes de tornar a adormecer, considerei por um instante o quanto toda a idéia era pouco prática. Um método sem falhas de inseminação artificial (que eu teria de supervisionar, mesmo sendo a paciente) teria de ser elaborado. Será que poderíamos fazê-lo, em nossas circunstâncias atuais, e garantir tanto a saúde quanto o sexo do embrião? Até mesmo hospitais na Terra, com toda espécie de recursos à sua disposição, nem sempre têm sucesso. A outra alternativa seria fazer sexo com Michael. Embora a idéia não me parecesse desagradável, as ramificações sociológicas pareceram-me de tal magnitude que abandonei completamente a idéia.
(Seis horas mais tarde.) Os homens surpreenderam-se esta noite com um jantar especial. Michael está ficando um ótimo cozinheiro, a comida, de acordo com o anunciado, teria gosto de Beef Wellington, embora parecesse mais creme de espinafre. Richard e Michael também serviram um líquido vermelho rotulado de vinho. Não era horrível, de modo que eu o bebi, descobrindo para grande surpresa minha que ele continha algum álcool, deixando-me até perceber um ruído de espumante.
Todos nós estávamos ligeiramente empilecados depois do jantar. As meninas, particularmente Simone, ficaram atônitas com nosso comportamento.
Durante nossa sobremesa de torta de coco, Michael disse-me que 41 era “um número muito especial”. Passou então a explicar-me que ele era o maior número primo que dava início a uma longa seqüência quadrática de outros primos.
Quando perguntei-lhe o que era uma seqüência quadrática, ele riu e disse que não sabia. Mas ele escreveu, na realidade, a seqüência de quarenta elementos de que estava falando: 41, 43, 47, 53, 61, 71, 83, 97, 113… terminando em 1601.
Garantiu-me que cada um daqueles quarenta números era primo. “E portanto”, acrescentou, dando uma piscadela, “quarenta e um deve ser um número mágico.” Enquanto eu ria, nosso gênio residente, Richard, olhou para os números e a seguir, não mais de um minuto depois de brincar com seu computador, explicou a Michael e a mim por que a seqüência era chamada “quadrática”. “As segundas diferenças são constantes”, disse ele, mostrando-nos o que queria dizer com um exemplo. “Portanto, toda a seqüência pode ser gerada por uma simples expressão quadrática. Tome-se f(N)=N2-N+41”, continuou, “onde N é qualquer integral de 0 a 40. Essa função gerará a seqüência inteira.”
“Melhor ainda”, riu-se ele, “tomem f(N)=N2-81N+1681, onde N é uma integral que vai de 1 a 80. Essa fórmula quadrática começa no fim da sua fileira de números, f(1)=1601, e vai passando pela seqüência em ordem crescente. Ela se inverte em f(40)=f(41)=41, e então gera todo o seu quadro numérico do novo, em ordem crescente.”
Richard sorriu. Michael e eu ficamos olhando para ele com o maior respeito.
13 DE MARÇO DE 2205
Katie teve hoje seu segundo aniversário e todos estavam de muito bom humor, particularmente Richard. Ele gosta muito da caçulinha, e ela o manipula escandalosamente. Porque era seu aniversário, ele a levou até a tampa da toca das octoaranhas, e eles sacudiram as grades juntos. Tanto Michael quanto eu expressamos nossa desaprovação, mas Richard riu-se e piscou para Katie.
Na hora do jantar, Simone tocou uma pequena peça que Michael estava lhe ensinando, ao piano, e Richard serviu um vinho bastante notável, um Chardonnay ramaiano, como o chamava, com nosso salmão poché. Em Rama, salmão poché é muito parecido com ovos mexidos na Terra, o que fica um pouco confuso, mas nós continuamos fiéis à nossa convenção de rotular todos os nossos alimentos segundo seu conteúdo nutritivo.
Estou me sentido muito, muito feliz, embora admita estar um pouco nervosa quanto à conversa que estou para ter com Richard. Ele anda muito bemhumorado no momento, principalmente porque está trabalhando não em um mas em dois projetos de monta. Não só ele está fazendo uns preparados líquidos cujo gosto e teor alcoólico rivalizam-se com os dos bons vinhos do planeta Terra, como também está criando um novo conjunto de robôs de vinte centímetros baseados em personagens das peças do vencedor do Prêmio Nobel no século XX, Samuel Beckett. Michael e eu vimos insistindo para que Richard reviva sua trupe shakespeariana há alguns anos, mas as lembranças de seus amigos perdidos sempre o impediu de fazê-lo. Mas um novo dramaturgo — isso é outra questão.
Ele já acabou os quatro personagens de Fim de partida. Esta noite as crianças riram-se alegremente quando os velhos “Nagg” e “Nell” apareceram de dentro de suas latas de lixo gritando “Meu papá. Tragam o meu papá.”
Pretendo positivamente apresentar a Richard minha idéia de ter um filho com Michael como pai. Estou certa de que ele verá a lógica e o mérito científico da sugestão, embora dificilmente eu espere que ele fique muito entusiasmado sobre o assunto. É claro que ainda não mencionei de todo a minha idéia a Michael. Ele sabe que eu ando com algo de sério na cabeça, porque perguntei-lhe se poderia tomar conta das meninas esta tarde enquanto Richard e eu subíamos à superfície para um piquenique e uma conversa. Meu nervosismo em torno dessa questão provavelmente não tem razão de ser. Mas sem dúvida ele se baseia em um conceito de comportamento correto que simplesmente não se aplica à nossa situação atual. Richard tem se sentido bem nestes últimos tempos. Seu espírito anda afiadíssimo. É possível que ele atire algumas farpas bem cortantes na minha direção durante nossa discussão, mas aposto que no fim ele ficará a favor da idéia.
8
7 DE MAIO DE 2205
Esta tem sido a primavera de nosso descontentamento. Senhor, que tolos somos nós, os mortais. Richard, Richard, volte por favor.
Por onde começar? E como começar? Será que ouso comer um pêssego?
Em um minuto há visões e revisões que um minuto… No quarto ao lado, Michael e Simone vão de cá para lá conversando sobre Miguel Ângelo.
Meu pai sempre me disse que todo mundo comete erros. Por que o meu teve de ser tão colossal? A idéia fazia sentido. Meu cérebro esquerdo me dizia que era lógico. Mas lá no fundo do ser humano a razão nem sempre triunfa. As emoções não são racionais. O ciúme não é resultado de um programa de computador.
Não faltaram avisos. Naquela primeira tarde, sentados junto ao Mar Cilíndrico fazendo nosso “piquenique”, os olhos de Richard já me diziam que havia algum problema. Hum, hum, Nicole; é melhor recuar, disse eu a mim mesma.
Porém, mais tarde, ele me pareceu tão razoável. “É claro”, disse Richard naquela mesma tarde, “que o que você está sugerindo é a coisa geneticamente correta a ser feita. Eu irei com você falar com Michael. Vamos acabar com isso o mais rápido possível, esperando que um encontro seja suficiente.”
Senti-me entusiasmada naquele momento. Jamais me ocorrera que Michael pudesse recusar. “Seria um pecado”, disse ele naquela mesma noite, depois que as meninas já tinham ido dormir, segundos depois de compreender o que estávamos propondo.
Richard passou à ofensiva, argumentando que todo o conceito de pecado era um anacronismo até mesmo na Terra e que ele, Michael, estava sendo apenas tolo. “Você realmente quer que eu faça isso?”, Michael perguntou diretamente a Richard, no final da conversa.
“Não”, respondeu Richard após uma pequena hesitação; “mas é claramente o melhor para as meninas.” Eu devia ter prestado mais atenção naquele “não”.