A Fúria dos Reis
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Saida de Emerg
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Fúria dos Reis». Краткое содержание книги:
– Então tem de ver.
O dothraki ofereceu-lhe uma mão. Quando ela a agarrou, ele a puxou para cima do cavalo e sentou-a à sua frente, onde podia ver por cima das cabeças da multidão. O mago de fogo tinha conjurado uma escada no ar, uma crepitante escada laranja, feita de chamas rodopiantes, que se erguia, sem suporte, do chão da feira ao alto telhado engradado.
Dany notou que a maior parte dos espectadores não era da cidade. Viu marinheiros saídos de navios mercantes, mercadores vindos em caravanas, homens poeirentos chegados do deserto vermelho, soldados errantes, artesãos, comerciantes de escravos. Jhogo deslizou uma mão em torno de sua cintura e inclinou-se para ela.
– Os Homens de Leite evitam-no. Khaleesi, vê a moça com o chapéu de feltro? Ali, atrás do sacerdote gordo. É uma…
– … batedora de carteira – Dany concluiu. Não era nenhuma senhora mimada, cega para tais coisas. Tinha visto batedoras com fartura nas ruas das Cidades Livres, durante os anos que passara fugindo, com o irmão, das lâminas contratadas pelo Usurpador.
O mago gesticulava, instigando as chamas a subir cada vez mais com largos gestos de braço. Enquanto a assistência estendia o pescoço para cima, os batedores contorciam-se através da multidão, com pequenas lâminas escondidas nas palmas das mãos. Tiravam as moedas dos prósperos com uma mão enquanto apontavam com a outra para cima.
Quando a escada de fogo chegou aos doze metros de altura, o mago saltou para ela e começou a subi-la, escalando com as mãos tão depressa como um macaco. Cada degrau que tocava dissolvia-se sem deixar mais que um fiapo de fumaça prateada. Quando chegou ao topo, a escada desapareceu, e ele também.
– Um belo truque – Jhogo afirmou com admiração.
– Não é um truque – disse uma mulher no Idioma Comum.
Dany não reparara em Quaithe entre a multidão, mas ali estava ela, com olhos úmidos e reluzentes por trás da implacável máscara de laca vermelha.
– Que quer dizer, senhora?
– Há meio ano, aquele homem mal conseguia despertar fogo em vidro de dragão. Possuía uma pequena habilidade com pós e fogovivo, o suficiente para fascinar a multidão enquanto seus batedores de carteira faziam seu trabalho. Conseguia caminhar sobre carvão quente e fazer com que rosas ardentes desabrochassem no ar, mas não podia aspirar a subir a escada de fogo mais do que um comum pescador podia ter esperança de pegar uma lula gigante em sua rede.
Dany olhou para onde estivera a escada, sentindo-se desconfortável. Até a fumaça tinha desaparecido agora, e a multidão dispersava-se, com cada homem indo tratar de seus assuntos. Dentro de mais um momento, alguns iriam encontrar as bolsas moles e vazias.
– E agora?
– E agora seus poderes crescem, Khaleesi. E você é a causa disso.
– Eu? – Dany riu. – Como assim?
A mulher se aproximou e encostou dois dedos no pulso de Dany.
– É a Mãe de Dragões, não é?
– É, e nenhum descendente das sombras pode tocá-la – Jhogo afastou seus dedos com o cabo do chicote.
A mulher deu um passo para trás.
– Deve deixar a cidade em breve, Daenerys Targaryen, senão, nunca lhe será permitido partir.
Dany ainda sentia um formigamento no pulso, no local onde Quaithe a tinha tocado.
– Para onde sugere que eu vá? – ela quis saber.
– Para ir ao norte, deve viajar para o sul. Para alcançar o oeste, tem de ir para o leste. Para ir em frente, deve voltar para trás, e para tocar a luz, tem de passar sob a sombra.
Asshai, pensou Dany. Ela quer que eu vá para Asshai.
– Os asshai’i vão me dar um exército? – quis saber. – Haverá ouro para mim em Asshai? Haverá navios? O que há em Asshai que não posso encontrar em Qarth?
– A verdade – disse a mulher da máscara. E, com uma reverência, voltou a desaparecer na multidão.
Rakharo fungou de desprezo por trás de seus bigodes negros e pendentes.
– Khaleesi, um homem faria melhor se engolisse escorpiões do que se confiasse em descendentes das sombras que não se atrevem a mostrar a face à luz do sol. É sabido.
– É sabido – Aggo concordou.
Xaro Xhoan Daxos tinha observado toda a conversa de cima de suas almofadas. Quando Dany voltou a subir para o palanquim a seu lado, disse:
– Seus selvagens são mais sábios do que julgam. Verdades como as que os asshai’i escondem não são do tipo que a fariam sorrir – então, obrigou-a a aceitar outra taça de vinho e tornou a falar de amor, luxúria e outras ninharias ao longo de toda a viagem de volta à mansão.
No sossego de seus aposentos, Dany despiu os adornos e envergou uma veste solta de seda púrpura. Os dragões estavam com fome, por isso cortou uma serpente e esturricou as fatias num braseiro. Eles estão crescendo, ela reparou enquanto os observava lançando mordidas uns aos outros, na disputa pela carne enegrecida. Devem pesar o dobro do que pesavam em Vaes Tolorro. Mesmo assim, ainda levaria anos até que fossem suficientemente grandes para ser levados para a guerra. E também devem ser treinados, caso contrário arrasarão meu reino. Apesar de todo o seu sangue Targaryen, Dany não fazia a menor ideia de como se treinava um dragão.
Sor Jorah Mormont veio encontrá-la ao pôr do sol.
– Os Puronatos disseram-lhe que não?
– Tal como você disse que fariam. Venha, sente-se, dê-me seu conselho – Dany puxou-o para as almofadas a seu lado, e Jhiqui trouxe-lhes uma tigela de azeitonas roxas e cebolas marinadas em vinho.
– Não conseguirá ajuda nesta cidade, khaleesi – Sor Jorah pegou uma cebola entre o indicador e o polegar. – Cada dia que passa, mais me convenço disso. Os Puronatos não veem além das muralhas de Qarth, e Xaro…
– Xaro pediu-me de novo para casar com ele.
– Sim, e eu sei por quê – quando o cavaleiro franzia a testa, suas pesadas sobrancelhas juntavam-se por cima de seus olhos encovados.
– Ele sonha comigo, de dia e de noite – ela riu.
– Perdoe-me, minha rainha, mas é com os seus dragões que ele sonha.
– Xaro garante-me que em Qarth os homens e as mulheres mantêm suas propriedades depois de se casar. Os dragões são meus – Dany sorriu quando Drogon veio saltando e batendo as asas pelo chão de mármore para se aninhar na almofada ao seu lado.
– Ele fala a verdade até onde disse, mas há uma coisa que se esqueceu de mencionar. Os qartenos têm um curioso costume nupcial, minha rainha. No dia da união, a esposa pode pedir um penhor de amor ao marido. Qualquer coisa que ela deseje de seus bens terrenos, ele tem de lhe conceder. E pode pedir-lhe a mesma coisa. Só uma coisa pode ser pedida, mas, seja o que for, não pode ser negado.
– Uma coisa – ela repetiu. – E não pode ser negada?
– Com um dragão, Xaro Xhoan Daxos governaria esta cidade, mas um navio pouco adianta à nossa causa.
Dany mordiscou uma cebola e refletiu tristemente sobre a deslealdade dos homens.
– Passamos pela feira no caminho de volta do Salão dos Mil Tronos – disse a Sor Jorah. – Quaithe estava lá – contou-lhe o que tinha visto o mago fazer com a escada de fogo, e o que a mulher da máscara vermelha lhe dissera.
– Para falar a verdade, ficaria contente por deixar esta cidade – disse o cavaleiro quando ela se calou. – Mas não na direção de Asshai.
– Então, para onde?
– Para leste.
– Mesmo aqui estou a meio mundo de distância do meu reino. Se for ainda mais para leste, posso nunca encontrar o caminho de volta a Westeros.
– Se for para oeste, arriscará a vida.
– A Casa Targaryen tem amigos nas Cidades Livres – relembrou-lhe Dany. – Amigos mais verdadeiros do que Xaro ou os Puronatos.
– Se pensa em Illyrio Mopatis, tenho dúvidas. Em troca de ouro suficiente, Illyrio venderia a senhora tão depressa como a um escravo.