A Fúria dos Reis
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Saida de Emerg
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Fúria dos Reis». Краткое содержание книги:
– Você e eu temos de conversar, tio – disse Theon. Dagmer não era um tio de verdade, só um homem juramentado com talvez uma pitada de sangue Greyjoy de quatro ou cinco vidas atrás, e ainda por cima vindo do lado errado dos lençóis. Apesar disso, Theon sempre o chamara de tio.
– Então suba ao meu convés – não havia senhores vindos de Dagmer, em especial quando ele se encontrava em seu convés. Nas Ilhas de Ferro, cada capitão era um rei a bordo de seu navio.
Theon subiu a prancha que levava ao convés do Bebedor de Espuma em quatro longas passadas, e Dagmer o levou até a pequena cabine de popa, onde se serviu de um corno de cerveja amarga e ofereceu outro ao jovem, que declinou.
– Não capturamos cavalos suficientes. Alguns, mas… Bem, suponho que o que tenho terá de servir. Menos homens significam mais glória.
– Que necessidade temos de cavalos? – tal como a maior parte dos homens de ferro, Dagmer preferia lutar a pé ou do convés de um navio. – Os cavalos só irão cagar em nossos conveses e ficar na nossa frente.
– Se continuássemos no mar, sim – admitiu Theon. – Tenho um plano diferente – observou o outro com cuidado para ver como encarava aquilo. Sem Boca Rachada não podia ter esperança de ser bem-sucedido. Com ou sem o comando, os homens nunca o seguiriam se tanto Aeron como Dagmer se opusessem a ele, e não tinha esperança de conquistar o sacerdote de cara amarga.
– O senhor seu pai ordenou-nos que assolássemos a costa, nada mais.
Olhos claros como espuma marinha observaram Theon por baixo daquelas hirsutas sobrancelhas brancas. Seria desaprovação que via ali, ou uma cintilação de interesse? Esta última, pensava… esperava…
– É um homem do meu pai.
– Seu melhor homem, sempre fui.
Orgulho, pensou Theon. Ele é orgulhoso, tenho de usar isso, seu orgulho será a chave.
– Não há nenhum homem nas Ilhas de Ferro com metade da habilidade com a lança ou a espada.
– Esteve longe por tempo demais, rapaz. Quando partiu, era como você diz, mas envelheci a serviço de Lorde Greyjoy. Os cantores dizem agora que Andrik é o melhor. Andrik, O Que Não Sorri, chamam-no. Um homem gigantesco. Serve ao Lorde Drumm da Velha Wyk. E Lorren Negro e Qarl, o Donzela, são quase igualmente terríveis.
– Esse Andrik pode ser um grande guerreiro, mas os homens não o temem como a você.
– Sim, é verdade – Dagmer respondeu. Os dedos enrolados em volta do corno estavam pesados de tantos anéis, de ouro, prata e bronze, incrustados com pedaços de safira, granada e vidro de dragão. Theon sabia que ele pagara o preço de ferro a cada um deles.
– Se tivesse um homem como você ao meu serviço, não o desperdiçaria nessa criancice de saquear e queimar. Este não é um serviço para o melhor homem de Lorde Balon…
O sorriso de Dagmer retorceu seus lábios e os afastou para mostrar as lascas marrons de seus dentes.
– Nem para o seu filho legítimo? – soltou. – Conheço-o bem demais, Theon. Vi-o dar seu primeiro passo, ajudei-o a dobrar seu primeiro arco. Não sou eu quem se sente desperdiçado.
– Por direito, eu devia ter o comando da minha irmã – admitiu, desconfortavelmente consciente de como aquilo soava como um choramingo.
– Leva esse assunto a sério demais, garoto. É só que o senhor seu pai não o conhece. Com seus irmãos mortos e você levado pelos lobos, sua irmã foi seu consolo. Aprendeu a confiar nela, e ela nunca lhe falhou.
– Nem eu. Os Stark conhecem meu valor. Fui um dos batedores selecionados por Brynden Peixe Negro, e participei da primeira investida no Bosque dos Murmúrios. Fiquei a esta distância de cruzar espadas com o próprio Regicida – Theon separou as mãos meio metro. – Daryn Hornwood interpôs-se entre nós, e morreu por isso.
– Por que me conta isso? – Dagmer quis saber. – Fui eu quem pôs a primeira espada na sua mão. Sei que não é nenhum covarde.
– E meu pai, sabe?
O velho e grisalho guerreiro parecia ter mordido alguma coisa cujo sabor não lhe agradava.
– É só que… Theon, o Rapaz Lobo é seu amigo, e esses Stark tiveram-no durante dez anos.
– Não sou nenhum Stark – Lorde Eddard assegurou-se disso. – Sou um Greyjoy, e pretendo ser herdeiro de meu pai. Como posso fazer isso a menos que prove meu valor com algum grande feito?
– É jovem. Outras guerras virão, e terá seus grandes feitos. Por ora, foi-nos ordenado que assolemos a Costa Pedregosa.
– Que meu tio Aeron trate disso. Darei seis navios a ele, todos, menos Bebedor de Espuma e Cadela do Mar, e poderá queimar e afogar gente até deixar seu deus empanturrado.
– O comando foi dado a você, não a Aeron Cabelo-Molhado.
– Desde que a pilhagem aconteça, que importa? Nenhum sacerdote seria capaz de realizar o que pretendo fazer, nem a incumbência que lhe dou. Tenho uma tarefa que só Dagmer Boca Rachada pode realizar.
Dagmer bebeu um grande gole de seu corno:
– Conte-me.
Está tentado, pensou Theon. Não gosta desse trabalho de corsário mais do que eu.
– Se minha irmã pode tomar um castelo, eu também posso.
– Asha tem quatro ou cinco vezes mais homens do que nós.
Theon permitiu-se um sorriso astuto.
– Mas nós temos quatro vezes mais inteligência, e cinco vezes mais coragem.
– Seu pai…
– … vai me agradecer, quando lhe entregar o seu reino. Pretendo realizar um feito sobre o qual os harpistas cantarão durante mil anos.
Sabia que aquilo faria Dagmer hesitar. Um cantor tinha feito uma canção sobre o machado que rachara seu maxilar ao meio, e o velho adorava ouvi-la. Sempre que estava bêbado, gritava por uma canção de saque, algo sonoro e tempestuoso que falasse de heróis mortos e feitos de grande valor. Tem cabelos brancos e dentes podres, mas ainda possui gosto pela glória.
– Qual seria o meu papel nesse seu plano, garoto? – Dagmer Boca Rachada falou após um longo silêncio, e Theon soube que tinha ganhado.
– Inspirar o terror no coração do inimigo, como só alguém com seu nome será capaz de fazer. Levará a maior parte de nossas forças e marchará sobre Praça de Torrhen. Helman Tallhart levou os melhores homens para o sul, e Benfred morreu aqui com os filhos deles. Tio Leobald ainda estará lá, com uma pequena guarnição – se tivesse tido oportunidade de interrogar Benfred, saberia precisamente quão pequena é. – Não mantenha segredo sobre sua aproximação. Cante todas as bravas canções que quiser. Quero que fechem os portões.
– Esta Praça de Torrhen é uma fortaleza forte?
– Bastante forte. As muralhas são de pedra, com nove metros de altura, torres quadradas nos cantos e uma fortaleza quadrada lá dentro.
– Não é possível incendiar muralhas de pedra. Como poderemos tomá-las? Não temos homens suficientes sequer para assaltar um castelo pequeno.
– Montará acampamento junto às muralhas e começará a construir catapultas e máquinas de cerco.
– Isso não é o Costume Antigo. Esqueceu? Os homens de ferro lutam com espadas e machados, não com o arremesso de pedras. Não há glória nenhuma em matar um inimigo de fome.