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A Tormenta de Espadas

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A Tormenta de Espadas
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– Robert? – arranhou Sandor Clegane, incrédulo.

– Ned Stark enviou-nos – disse Jack Sortudo com seu elmo redondo –, mas ele estava sentado no Trono de Ferro quando nos deu as ordens, portanto nunca fomos realmente homens dele, e sim de Robert.

– Robert agora é o rei dos vermes. É por isso que estão debaixo da terra, para serem a sua corte?

– O rei está morto – admitiu o cavaleiro-espantalho –, mas continuamos a ser homens do rei, embora o estandarte real que trazíamos tenha sido perdido no Vau do Saltimbanco quando os carniceiros de seu irmão caíram sobre nós. – Tocou o peito com um punho. – Robert foi morto, mas sua terra perdura. E nós a defendemos.

– Defendem-na? – Cão de Caça resfolegou. – Ela é a sua mãe, Dondarrion? Ou a sua puta?

Dondarrion? Beric Dondarrion tinha sido belo; Jeyne, a amiga de Sansa, apaixonara-se por ele. Nem mesmo Jeyne Poole era tão cega para achar aquele homem bonito. Mas quando Arya voltou a olhar para ele, viu os restos de um relâmpago bifurcado de cor púrpura, no esmalte rachado de sua placa de peito.

– Sua terra é feita de pedras, árvores e rios – Cão de Caça estava dizendo. – As pedras precisam de quem as defenda? Robert acharia que não. Qualquer coisa que não pudesse foder, combater ou beber aborrecia-o, assim como vocês, os... bravos companheiros.

O ultraje varreu o monte oco.

– Volte a nos chamar por esse nome, cão, e engolirá a língua. – Limo puxou a espada.

Cão de Caça fitou a arma com desprezo.

– Ora, aqui está um homem corajoso, mostrando aço a um prisioneiro amarrado. Por que é que não me desata? Veremos então como anda essa coragem. – Lançou um olhar ao Caçador Louco que se encontrava atrás dele. – E você? Ou será que deixou toda a sua coragem nos canis?

– Não, mas devia tê-lo deixado numa gaiola para corvos. – Caçador puxou uma faca. – E ainda posso fazer isso.

Cão de Caça riu na cara dele.

– Aqui somos irmãos – declarou Thoros de Myr. – Irmãos sagrados juramentados ao reino, ao nosso deus e uns aos outros.

– A irmandade sem estandartes. – Tom Sete-Cordas fez soar uma corda. – Os cavaleiros do monte oco.

Cavaleiros? – Clegane transformou a palavra em chacota. – Dondarrion é um cavaleiro, mas o resto de vocês é o mais lamentável bando de fora da lei e homens quebrados que eu já vi. Cago homens melhores do que vocês.

– Qualquer cavaleiro pode armar cavaleiros – disse o espantalho que era Beric Dondarrion – e todos os homens que vê na sua frente sentiram uma espada no ombro. Somos a companhia esquecida.

– Mande-me embora e também os esqueço – rouquejou Clegane. – Mas se pretende me assassinar, então trate disso de uma vez. Roubou minha espada, meu cavalo e meu ouro, portanto roube minha vida e acabou-se... mas poupe-me desses balidos devotados.

– Morrerá em breve, cão – prometeu Thoros –, mas não será assassinato, e sim justiça.

– Sim – disse o Caçador Louco –, e um destino mais bondoso do que merece por tudo aquilo que a sua laia tem feito. Leões, vocês chamam a si mesmos. Em Sherrer e no Vau do Saltimbanco foram estupradas meninas de seis e sete anos, e bebês de peito foram cortados em dois enquanto as mães eram obrigadas a ver. Nenhum leão jamais matou tão cruelmente.

– Não estive em Sherrer nem no Vau do Saltimbanco – disse-lhe Cão de Caça. – Deposite suas crianças mortas em outra porta qualquer.

Foi Thoros quem respondeu.

– Nega que a Casa Clegane foi construída sobre os ossos de crianças mortas? Vi-os depositando o Príncipe Aegon e a Princesa Rhaenys perante o Trono de Ferro. O certo seria suas armas terem dois bebês ensanguentados em vez daqueles cães feios.

A boca de Cão de Caça retorceu-se.

– Toma-me por meu irmão? Agora é crime nascer Clegane?

– O assassinato é um crime.

– Quem foi que eu assassinei?

– Lorde Lothar Mallery e Sor Gladden Wylde – disse Harwin.

– Meus irmãos Lister e Lennocks – declarou Jack Sortudo.

– O pai de família Beck e Mudge, o filho do moleiro, de Bosque de Donnel – gritou uma velha das sombras.

– A viúva de Merriman, que amava tão bem – acrescentou Barba-Verde.

– Aqueles septões no Charco Lamacento.

– Sor Andrey Charlton. O seu escudeiro, Lucas Roote. Todos os homens, mulheres e crianças em Campopedra e no Moinho do Rato.

– O Senhor e a Senhora Deddings, que eram tão ricos.

Tom Sete-Cordas começou a enumerar.

– Alyn de Winterfell, Joth Arco-Ligeiro, Matt Pequeno e a irmã, Randa, Anvil Ryn. Sor Ormond. Sor Dudley. Pate de Mory, Pate de Bosquelança, Velho Pate e Pate de Bosque de Shermer. Wyl Cego, o entalhador. Patroa Maerie. Maerie, a Prostituta. Becca Padeira. Sor Raymun Darry, Lorde Darry, o jovem Lorde Darry. Bastardo de Bracken. Fletcher Will. Harsley. Patroa Nolla...

Basta. – O rosto de Cão de Caça estava comprimido de fúria. – Está fazendo barulho. Esses nomes não significam nada. Quem eram eles?

– Pessoas – disse Lorde Beric. – Pessoas grandes e pequenas, jovens e velhas. Pessoas boas e pessoas más, que morreram na ponta de lanças Lannister ou viram a barriga aberta por espadas Lannister.

– Não era a minha espada na barriga deles. Quem disser isso é um mentiroso.

– Serve aos Lannister de Rochedo Casterly – disse Thoros.

– Servi, antigamente. Eu e mais milhares. Será cada um de nós culpado pelos crimes dos outros? – Clegane escarrou. – Pode ser que sejam cavaleiros, afinal. Mentem como cavaleiros, pode ser que assassinem como cavaleiros.

Limo e Jack Sortudo começaram a gritar com ele, mas Dondarrion levantou uma mão para pedir silêncio.

– Conte-nos o que quer dizer com isso, Clegane.

– Um cavaleiro é uma espada com um cavalo. O resto, os votos e os óleos sagrados e os favores das senhoras, são fitas de seda atadas em volta da espada. A espada talvez seja mais bonita com fitas penduradas nela, mas mata igualmente bem sem elas. Bem, que se fodam as suas fitas, e que enfiem as suas espadas no cu. Eu sou igual a vocês. A única diferença é que não minto a respeito do que sou. Portanto matem-me, mas não me chamem de assassino enquanto ficam aí dizendo uns aos outros que a sua merda não fede. Estão me ouvindo?

Arya espremeu-se tão depressa para a frente de Barba-Verde que ele nem a viu.

– Você é um assassino! – gritou. – Matou o Mycah, e não diga que não matou. Assassinou-o!

Cão de Caça fitou-a sem sequer um lampejo de reconhecimento.

– E quem era esse Mycah, menino?

– Não sou um menino! Mas o Mycah era. Era filho de um açougueiro e você o matou. Jory disse que você quase o cortou ao meio, e ele sequer tinha uma espada. – Agora, conseguia sentir os olhos deles sobre si, as mulheres, as crianças e os homens que se denominavam cavaleiros do monte oco.

– Quem é essa agora? – perguntou alguém.

Cão de Caça respondeu.

Sete infernos. A irmã mais nova. A fedelha que atirou a linda espada de Joffrey ao rio. – Soltou um latido de riso. – Não sabe que está morta?

– Não, você é que está morto – disparou ela de volta.

Harwin pegou o braço de Arya e puxou-a para trás enquanto Lorde Beric dizia:

– A garota chamou-o de assassino. Nega ter matado esse filho de açougueiro, Mycah?

O grandalhão encolheu os ombros.

– Eu era defensor juramentado de Joffrey. O filho do açougueiro atacou um príncipe de sangue.

– Isso é uma mentira! – Arya sacudiu-se entre as mãos de Harwin. – Fui eu. Eu é que bati no Joffrey e joguei o dente de leão no rio. Mycah só fugiu, como eu lhe disse para fazer.

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