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Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]

Электронная книга - «Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]». Краткое содержание книги:

Assustada com os segredos obscuros do belo e atormentado Christian Grey, Ana Steele poe um ponto final em seu relacionamento com o jovem empresario e concentra-se em sua nova carreira, numa editora de livros. Mas o desejo por Grey domina cada pensamento de Ana e, quando ele propoe um novo acordo, ela nao consegue resistir. Em pouco tempo, Ana descobre mais sobre o angustiante passado de seu amargurado e dominador parceiro do que jamais imaginou ser possivel. Enquanto Christian tenta se livrar de seus demonios interiores, Ana se ve diante da decisao mais importante da sua vida.
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Grace vira-se lentamente para Christian e um silêncio tenso se instala feito um cobertor grosso sobre nós quando os dois encaram um ao outro. Depois de um tempo, Grace fala.

— Ana, antes que eu o entregue a você, você se importaria de me dar um minuto ou dois a sós com meu filho? — Sua voz é calma, rouca, mas poderosa.

— Claro — sussurro e saio da sala o mais rápido que posso, dando uma olhada rápida e ansiosa por cima do ombro.

Mas nenhum dos dois se vira para me ver sair. Eles continuam a se encarar, com todas as palavras não ditas praticamente berrando entre eles.

No corredor, vejo-me perdida por um instante. Meu coração está pulando, e o meu sangue dispara pelas minhas veias... Estou em pânico, isso tudo é muito mais do que posso compreender. Deus do céu, aquilo foi pesado, e agora Grace sabe. Não consigo imaginar o que ela vai dizer a Christian, e sei que é errado, mas me inclino contra a porta, tentando ouvir.

— Por quanto tempo, Christian? — A voz de Grace é baixa. Mal posso ouvi-la. Não consigo escutar a resposta dele. — Quantos anos você tinha? — A voz dela é mais insistente. — Diga-me. Quantos anos você tinha quando tudo isso começou? — Mais uma vez não posso ouvir Christian.

— Está tudo bem, Ana? — Ros me interrompe.

— Tudo. Tudo bem. Obrigada. Eu...

— Só estou indo pegar minha bolsa — Ros sorri. — Preciso de um cigarro.

Por um breve momento, avalio a possibilidade de me juntar a ela.

— Estou indo ao banheiro.

Preciso recobrar meu juízo e meus pensamentos, para processar o que acabei de testemunhar e ouvir. A parte de cima da casa parece ser o lugar mais seguro para ficar sozinha. Assisto Ros caminhar até a sala de estar e subo, dois degraus de cada vez, até o segundo andar, e então continuo até o terceiro. Só tem um lugar em que quero estar.

Abro a porta do quarto de infância de Christian e a fecho atrás de mim, inspirando profundamente. Caminho até a sua cama, jogo-me em cima dela e fico encarando o teto branco e liso.

Minha nossa. Este deve ser, sem dúvida, um dos confrontos mais excruciantes que já tive de suportar, e agora me sinto entorpecida. Meu noivo e sua ex-amante — nenhuma noiva deveria ter que passar por isso. Dito isto, parte de mim está feliz que ela tenha revelado sua verdadeira faceta, e que eu estivesse lá para testemunhar.

Meus pensamentos se voltam para Grace. Pobre Grace, ter que ouvir aquilo tudo. Agarro um dos travesseiros de Christian. Ela deve ter ouvido que Christian e Elena tiveram um caso, mas não a natureza dele. Graças a Deus. Solto um gemido.

O que estou fazendo? Talvez a bruxa má não deixe de ter alguma razão.

Não, me recuso a acreditar nisso. Ela é tão fria e cruel. Balanço a cabeça. Ela está errada. Eu sou a pessoa certa para Christian. Sou tudo de que ele precisa. E, num momento impressionante de lucidez, não me pergunto como ele viveu a vida que viveu até recentemente, mas por quê. As razões para fazer o que fez com inúmeras garotas — nem quero saber com quantas. O como não é o problema. Todas elas eram adultas. Eram — como foi que Flynn colocou? — pessoas participando de um relacionamento consensual, seguro e saudável. O problema é o porquê. O porquê estava errado. O porquê é que vem de um lugar sombrio.

Fecho os olhos e coloco o braço sobre eles. Mas agora ele seguiu em frente, deixou tudo isso para trás, e ambos estamos na luz. Estou encantada por ele, e ele por mim. Podemos guiar um ao outro. Um pensamento me ocorre. Merda! Um pensamento perturbador e traiçoeiro, e estou no único lugar em que posso exorcizar esse fantasma. Sento-me na cama. Sim, preciso fazer isso.

Fico de pé, tremendo, tiro os sapatos, caminho até sua escrivaninha e observo o mural acima dela. As fotos do jovem Christian ainda estão lá — mais pungentes do que nunca, depois do espetáculo que acabei de testemunhar entre ele e a Mrs. Robinson. E lá está, no canto, o pequeno retrato em preto e branco: sua mãe, a prostituta viciada.

Acendo a lâmpada da mesa e viro o foco de luz para a fotografia. Nem sei o seu nome. Ela se parece muito com ele, só que mais jovem e mais triste, e, olhando para seu rosto infeliz, tudo o que sinto é compaixão. Tento ver as semelhanças entre aquele rosto e o meu. Aperto os olhos diante da imagem, chegando bem perto, e não identifico nenhuma. Exceto, talvez, o cabelo, mas acho que o dela é mais claro que o meu. Não me pareço nem um pouco com ela. É um alívio.

Meu inconsciente se vira para mim, fazendo um barulhinho de desaprovação, os braços cruzados, encarando-me por sobre os óculos de meia-lua. Por que você está se torturando? Você já disse sim. Você fez a fama, agora deite na cama. Contraio os lábios para ele. Sim, com muito prazer. Quero me deitar nesta cama com Christian para o resto da vida. Sentada na posição de lótus, minha deusa interior sorri serenamente. Sim. Tomei a decisão certa.

Tenho que encontrá-lo — Christian deve estar preocupado. Não tenho ideia de quanto tempo passei no quarto dele; ele vai achar que eu fugi. Reviro os olhos ao imaginar sua reação exagerada. Espero que ele e Grace tenham terminado a conversa. Estremeço só de pensar no que mais ela pode ter dito a ele.

Encontro Christian subindo as escadas para o segundo andar, procurando por mim. Seu rosto está tenso e cansado — não é o mesmo Cinquenta Tons despreocupado com quem cheguei aqui. Permaneço no topo da escada, e ele para num dos degraus, de modo que ficamos olhos nos olhos.

— Oi — diz, com cautela.

— Oi — respondo, contida.

— Estava preocupado com...

— Eu sei — interrompo-o. — Me desculpe, não estava em condições de enfrentar a comemoração. Só precisava sair um pouco, você sabe. Para pensar.

Acaricio seu rosto. Ele fecha os olhos e inclina o rosto contra a minha mão.

— E você achou que seria uma boa ideia fazer isso no meu quarto?

— É.

Ele pega a minha mão e me puxa para um abraço, que eu aceito de bom grado, meu lugar favorito no mundo inteiro. Tem cheiro de roupa limpa, loção de banho e de Christian — o perfume mais relaxante e excitante do planeta. Ele inspira fundo, o nariz no meu cabelo.

— Sinto muito que você tenha tido que passar por isso.

— Não é sua culpa, Christian. Por que ela estava aqui?

Ele me olha, a boca se contorcendo num pedido de desculpas.

— É amiga da família.

Tento não reagir.

— Não é mais. Como está sua mãe?

— Mamãe está muito brava comigo neste instante. Estou muito feliz que você esteja aqui, e que a gente esteja no meio de uma festa. Caso contrário, estes poderiam ser meus últimos momentos de vida.

— Grave assim, é?

Ele faz que sim com a cabeça, os olhos sérios, e sinto sua perplexidade diante da reação dela.

— E você pode culpá-la por isso? — minha voz é calma, lisonjeira.

Ele me abraça com força e parece incerto, processando seus pensamentos. Enfim, responde:

— Não.

Uau! Um progresso e tanto.

— A gente pode se sentar? — pergunto.

— Claro. Aqui?

Concordo com a cabeça, e nos sentamos no alto da escada.

— Então, como você está se sentindo? — pergunto, segurando sua mão ansiosamente e fitando seu rosto triste e sério.

Ele suspira.

— Sinto-me libertado. — Christian dá de ombros e então sorri seu sorriso maravilhoso e despreocupado, fazendo desaparecer todo o cansaço e a tensão de instantes atrás.

— Sério? — Sorrio de volta para ele. Uau, eu seria capaz de rastejar sobre cacos de vidro por esse sorriso.

— Nossa relação de negócios acabou. Chega.

Franzo a testa.

— Você vai fechar o salão de beleza?

Ele ri com desdém.

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