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Elfos

Электронная книга - «Elfos». Краткое содержание книги:

Um frio congelante reinava nas Terras do Fiordes, quando Mandred Torgridson partiu com seus companheiros para caçar uma besta que aterrorizava os arredores de seu povoado. No entanto, o grupo acaba atacado de surpresa por uma fera meio javali, meio homem. Somente Mandred se salva. Gravemente ferido, consegue adentrar um círculo de pedras, mas, devido às dores e ao frio intenso, acaba tomado por um sono profundo. Quando surpreendentemente desperta, está ao pé de um carvalho, que lhe oferece seus milagrosos poderes de cura. Mandred então percebe que adentrou o misterioso mundo dos elfos.
Tomado pela suspeita de que era dali que teria vindo o monstro, põe-se diante da bela rainha do povo élfico e exige vingança pelas vítimas da besta. A rainha nega e, então, convoca a legendária Caçada dos Elfos para acabar com a fera. Reúne seus melhores guerreiros, Nuramon e Farodin, dois elfos cercados de segredos, e forma um grupo liderado por Mandred, que conta ainda com Aigilaos, um centauro, como arqueiro; Brandan, um elfo rastreador; Vanna, a feiticeira; e Lijema, a mãe dos lobos.
O grupo parte, então, para o Mundo dos Homens e a perseguição começa, desdobrando-se em várias aventuras fantásticas. No entanto, seu alvo revela-se um demônio de tempos remotos e as sombras da morte e da ilusão logo recaem sobre a cruzada. Mandred, Nuramon e Farodin terão de pôr à prova toda a sua coragem, amizade e lealdade para cumprir a missão.
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Farodin, então, subiu escalando em um dos arcos que se uniam ao paredão da torre. Avançou com dificuldade, centímetro por centímetro, até chegar à parede. Lá ele se agachou. Estava agora exatamente sobre uma das escoras transversais que se projetava da parede cerca de três metros abaixo. Farodin praguejou. Teria de saltar sobre a pedra coberta de gelo, um movimento extremamente arriscado.

Olhou para baixo por um tempo. Sentia o frio penetrar em seus membros. O feitiço de calor se extinguira tão logo deixara de se concentrar nele. Saltou!

Farodin aterrissou na escora, mas as solas de seus pés não encontraram apoio. Meio caindo e meio se jogando, conseguiu virar e pousar, caindo, com as pernas abertas, sobre a escora mais abaixo. A dor fez encher seus olhos de lágrimas.

Gemendo, soltou o cinto dos quadris e prendeu-o ao redor da pedra. Tirou a camisa e amarrou uma das mangas ao cinto. O vento gelado cortava as suas costas nuas como uma faca afiada. Agora o vitral estava abaixo dele.

Farodin fez um grande nó na ponta da segunda manga, torcendo muito para que as costuras da camisa fossem sólidas. Então jogou-se do friso. A camisa se esticou de uma vez. O couro do cinto rangeu sobre a pedra áspera. Balançando, o elfo pegou impulso, lutando contra a ventania violenta. Depois de muito esforço, a janela agora estava quase na mesma altura dele. Lentamente seus dedos rígidos foram perdendo a firmeza. Mais um impulso e... Ele se soltou.

A janela explodiu, barulhenta, com o impacto de suas botas. O vidro cortou seus braços. Chocou-se com força contra o chão e rolou para o lado. Sangue quente escorria de sua testa.

Respirando com dificuldade, ficou ali, deitado. Tinha conseguido escapar! Nesse primeiro instante, não conseguiu fazer nada além de simplesmente fitar o teto sobre ele. Quase não podia acrecitar. Estava vivo!

Embora estranhasse que ninguém tivesse ouvido a janela se quebrar, acabou tomando consciência de que o ruído havia sido abafado pelo enorme barulho que retumbava na torre. Batidas de gongo soavam. O fogo!

Nuvens de fumaça passavam na frente da pedra de barin abaixo do teto. A fumaceira tornava-se espessa rapidamente. Farodin conseguiu sentar, mas já sentia tontura. Seus olhos lacrimejavam.

Ele rasgou uma tira de pano da calça e pressionou-a sobre o nariz e a boca, à guisa de filtro. A fumaça facilitaria a sua fuga — caso não o matasse.

A canção de Elodrin

Mandred estava apreensivo. Não poderiam esperar mais. Logo a maré estaria tão alta que não seria mais possível sair da caverna. E então ficariam presos lá por horas! Tremendo, enrolara um cobertor ao redor dos ombros. O estrondo da maré que subia ecoava nas paredes da gruta. Sentia-se muito fraco. Desamparado, estava à mercê dos elfos. Haviam atravessado o fiorde a nado com ele. Landal, um elfo magro e louro, agarrou-o pela barba e puxou-o atrás de si. O feitiço dele livrou o jarl de morrer na água gelada. Ele se sentia, contudo, mais morto do que vivo. O frio penetrara fundo em seus ossos. Estava deitado no chão do barco enrolado em várias cobertas, e mal conseguia se mexer.

— Conduzam o barco para fora da gruta — comandou Elodrin, aproximando-se do timão na popa. — Vamos esperar lá fora, no fiorde. Ali pelo menos não estaremos sentados na armadilha.

Os demais elfos se posicionaram nos remos. Lutar contra a forte correnteza na entrada da caverna exigia todas as suas forças. A água estava tão alta que a curva da roda de proa do barco batia o tempo todo contra o teto baixo da caverna. Já parecia ser tarde demais para escapar quando o pequeno veleiro, de repente, deu um pequeno salto para a frente, vencendo uma onda. E então eles estavam livres.

Com muita habilidade, Elodrin os conduziu pelos recifes e baixios até finalmente chegarem às águas mais profundas e navegáveis do meio do fiorde. Esgotados, os elfos se puseram de cócoras ao longo do costado do barco, recuperando-se da luta contra o mar. Somente Elodrin estava de pé na popa. Inquieto, espreitava através da névoa densa.

— Um feitiço poderoso está agindo — disse ele em voz baixa. — Sinto magia em todo lugar. Não deveríamos ficar aqui.

— Nós vamos esperar Farodin! — insistiu Mandred.

— Isso não é muito esperto. — O velho elfo apontou para adiante, para onde devia estar o Pico da Noite do outro lado da névoa. — Farodin veio até aqui para morrer.

— Não, você não o conhece. Ele dedicou sua vida toda à busca por sua amada. Ele não vai morrer aqui.

Elodrin sorriu cansado.

— Então você conhece a alma dos elfos assim tão bem, filho de humanos?

“Maldito sujeitinho petulante”, pensou Mandred.

— Se vão abandoná-lo, então me levem até a margem. Vou procurar por ele!

— O que você quer fazer? Arrastar-se até o Pico da Noite?

— Seja como for, não vou deixar um amigo na mão.

— E se você também morrer, de que isso vai servir a Farodin? — perguntou Elodrin.

— Isso você nunca vai compreender, elfo. Não abandonar os amigos é uma questão de honra para nós, humanos. Tanto faz em que circunstâncias. Tenho certeza de que Farodin faria a mesma coisa por mim!

O velho elfo concordou com a cabeça.

— Sim, ele mudou muito. Isso eu pude sentir. Talvez... Fique quieto agora, filho de humanos. Preciso de silêncio!

Elodrin soltou o timão e agachou-se na popa. Começou a entoar, quase sussurrando, uma canção de ninar. O suave balanço do barco e o cansaço estavam deixando Mandred com sono. Sua cabeça tombou para o lado. Não adormecer — esse foi o seu último pensamento.

Assustado, Mandred acordou num sobressalto. Os elfos estavam novamente sentados junto aos remos e a névoa tinha se dissipado. Pareciam ter deixado o fiorde! Furioso, Mandred ergueu os olhos para Elodrin.

— Seu patife covarde! Você me adormeceu com um feitiço para fugir!

Tateou em busca do machado. Não estava lá. Cada movimento fazia uma dor lancinante percorrer sua perna.

O velho elfo havia recolocado a venda. Inclinou a cabeça na direção de Mandred e sorriu.

— O fato de você acordar só agora mostra como é forte o laço de amizade entre vocês.

— Você vai me levar imediatamente de volta ao fiorde, seu miserável, comedor de lama...

— Nardinel! Landal! Ajudem-no a se levantar! O falatório dele está atrapalhando o meu feitiço!

Os elfos que ele chamou recolheram seus remos e vieram até ele. Estavam novamente vendados. Mandred gemeu de dor quando o agarraram e o puseram sobre as pernas.

— Eu não sei como você conseguiu — sussurrou Nardinel em seu ouvido —, mas a sua insensatez também contagiou Elodrin! Os xamãs dos trolls estão dissipando a névoa do fiorde. Todos podem nos ver. E, ainda assim, estamos indo para o porto do Pico da Noite!

Enquanto se apoiava nos elfos, Mandred podia ver por cima da balaustrada. A nevasca tinha cessado. O céu estava claro e cheio de estrelas. A cerca de um quilômetro de distância, a torre dos trolls erguia-se sobre o fiorde. Tochas moviam-se em todo lugar sobre os rochedos e ao longo da praia. O pé da torre estava cercado por uma claridade débil e avermelhada, muita fumaça densa brotava de suas janelas.

O longo quebra-mar estava cheio de trolls. Pelo visto, tripulavam seus navios a todo vapor.

— Você o vê? — perguntou Elodrin da popa. — Farodin deve estar perto de nós, na água. Sinto sua proximidade. Mal preciso de força para manter o feitiço de busca.

Mandred espreitou o movimento suave das ondas. Seria possível ver claramente um nadador que estivesse revolvendo a água. Mas ali não havia nada.

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