A Fúria dos Reis
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Saida de Emerg
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Fúria dos Reis». Краткое содержание книги:
– Pode, se quiser – pegando a rede, Meera sacudiu os últimos nós e começou a arrumá-la em dobras soltas.
– Você é o lobo alado, Bran – disse Jojen. – Não tive essa certeza quando o corvo veio pela primeira vez, mas agora tenho. Ele nos enviou até aqui para quebrar suas correntes.
– O corvo está na Água Cinzenta?
– Não. Ele está no norte.
– Na Muralha? – Bran sempre quis ver a Muralha. O irmão bastardo, Jon, estava lá agora, um homem da Patrulha da Noite.
– Para lá da Muralha – Meera Reed pendurou a rede no cinto. – Quando Jojen disse ao senhor nosso pai o que sonhara, ele nos enviou a Winterfell.
– Como é que eu vou quebrar as correntes, Jojen? – Bran quis saber.
– Abra o olho.
– Eles estão abertos. Não vê?
– Dois deles estão abertos – Jojen apontou: – Um, dois.
– Eu só tenho dois.
– Tem três. O corvo lhe deu o terceiro, mas você não quer abri-lo – o rapaz tinha um jeito lento e suave de falar. – Com dois olhos, vê o meu rosto. Com três, poderia ver meu coração. Com dois consegue ver aquele carvalho ali. Com três, conseguiria ver a bolota da qual o carvalho nasceu e o toco em que se transformará um dia. Com dois, não vê para lá de suas muralhas. Com três seria capaz de ver para sul até o Mar do Verão e para norte, para lá da Muralha.
Verão pôs-se em pé.
– Não preciso ver longe – Bran deu um sorriso nervoso. – Estou farto de falar de corvos. Vamos falar de lobos. Ou de lagartos-leões. Alguma vez já caçou algum, Meera? Aqui não existem.
Meera tirou o tridente dos arbustos:
– Vivem na água. Em cursos de água lentos e pântanos profundos…
– Sonhou com um lobo?
O rapaz estava deixando Bran zangado.
– Não preciso te contar meus sonhos. Sou o príncipe. Sou o Stark em Winterfell.
– Era o Verão?
– Cale-se.
– Na noite da festa das colheitas, sonhou que era o Verão no bosque sagrado, não foi?
– Pare com isso! – Bran gritou. Verão deslizou na direção do represeiro, exibindo os dentes brancos.
Jojen não se importou.
– Quando toquei no Verão, senti você nele. Tal como está nele agora.
– Não podia ter sentido. Eu estava na cama. Estava dormindo.
– Estava no bosque sagrado, todo de cinza.
– Foi só um pesadelo…
Jojen ficou de pé.
– Senti-o. Senti-o caindo. É isso o que o assusta, a queda?
A queda, pensou Bran, e o homem dourado, o irmão da rainha, ele também me assusta, mas é principalmente a queda. Mas não disse. Como poderia? Não tinha sido capaz de dizer a Sor Rodrik ou ao Meistre Luwin, e também não podia dizer aos Reed. Se não falasse no assunto, talvez o esquecesse. Nunca queria se lembrar. Podia até nem ser uma memória verdadeira.
– Você cai todas as noites, Bran? – Jojen perguntou em voz baixa.
Um rosnado grave e trovejante ergueu-se da garganta de Verão, e não havia nele nenhuma brincadeira. O lobo avançou, todo dentes e olhos quentes. Meera interpôs-se entre o animal e o irmão, com o tridente na mão.
– Mantenha-o longe, Bran.
– Jojen o está deixando irritado.
Meera abanou a rede.
– A ira é sua, Bran – disse o irmão. – O medo é seu.
– Não é. Eu não sou um lobo – mas uivara com eles na noite, e saboreara o sangue em seus sonhos de lobo.
– Parte de você é Verão, e parte do Verão é você. Sabe disso, Bran.
Verão correu, mas Meera bloqueou seu avanço, dando uma estocada com o tridente. O lobo torceu-se para o lado, rodeando-a, espreitando. Meera virou-se para enfrentá-lo:
– Chame-o para trás, Bran.
– Verão! – Bran gritou. – Aqui, Verão! – bateu com a palma da mão aberta em sua coxa. A mão formigou, mas a perna morta nada sentiu.
O lobo gigante voltou a saltar, e de novo o tridente de Meera avançou. Verão esquivou-se, e rodeou-a no sentido contrário. Os arbustos restolharam, e um esguio vulto negro saiu de debaixo do represeiro, com os dentes à mostra. O cheiro era forte; o irmão havia cheirado sua ira. Bran sentiu que pelos se eriçavam na parte de trás do pescoço. Meera ficou ao lado do irmão, com lobos de ambos os lados.
– Bran, chame-os.
– Não consigo!
– Jojen, para cima da árvore.
– Não é preciso. Hoje não é o dia da minha morte.
– Faça o que digo! – ela gritou, e o irmão subiu no tronco do represeiro, usando o rosto como apoio para as mãos. Os lobos gigantes aproximaram-se. Meera abandonou a lança e a rede, saltou e agarrou o galho que se estendia por cima de sua cabeça. As mandíbulas do Felpudo fecharam-se com um estalido por baixo de seu tornozelo quando ela se balançou para cima e subiu para o galho. Verão sentou-se nos quartos traseiros e uivou, enquanto Cão Felpudo mordia a rede, sacudindo-a nos dentes.
Foi só então que Bran se lembrou de que não estavam sozinhos. Pôs as mãos em torno da boca:
– Hodor! – ele gritou. – Hodor! Hodor! – estava muito assustado e um pouco envergonhado. – Eles não farão mal a Hodor – Bran garantiu aos amigos na árvore.
Passaram-se alguns momentos antes de ouvirem um cantarolar sem melodia. Hodor chegou, meio vestido e salpicado de lama de sua visita às lagoas quentes, mas Bran nunca se sentira tão contente por vê-lo.
– Hodor, ajude-me. Afaste os lobos. Afaste-os.
Hodor fez o que lhe foi pedido alegremente, abanando os braços e batendo com os seus enormes pés, gritando “Hodor, Hodor”, correndo primeiro para um lobo e em seguida para o outro. Cão Felpudo foi o primeiro a fugir, voltando a se enfiar por entre a folhagem com um último rosnado. Quando Verão se fartou, voltou para junto de Bran e deitou-se ao seu lado.
Assim que Meera voltou a tocar no chão, pegou a rede e o tridente. Jojen não chegou a tirar os olhos de Verão.
– Voltaremos a conversar – ele prometeu a Bran.
Foram os lobos, não fui eu. Não compreendia por que tinham ficado tão violentos. Talvez Meistre Luwin tenha tido razão em fechá-los no bosque sagrado.
– Hodor – disse –, leve-me ao Meistre Luwin.
O torreão do meistre, sob o viveiro dos corvos, era um dos lugares preferidos de Bran. Luwin era irremediavelmente desorganizado, mas sua desordem de livros, rolos e garrafas era tão familiar e reconfortante para Bran como a calva do meistre e as grandes mangas de sua toga larga e cinza. E também gostava dos corvos.
Foi encontrar Luwin empoleirado num banco alto, escrevendo. Com Sor Rodrik longe, todo o governo do castelo tinha caído sobre os seus ombros.
– Meu príncipe – ele disse quando Hodor entrou –, hoje chegou cedo para as lições – o meistre passava várias horas, todas as tardes dando aulas para Bran, Rickon e aos dois Walder Frey.
– Hodor, fica quieto – Bran agarrou um castiçal da parede com ambas as mãos e o usou para se içar para fora do cesto. Ficou um momento pendurado pelos braços até Hodor levá-lo a uma cadeira. – Meera diz que o irmão tem a visão verde.
Meistre Luwin coçou o lado do nariz com a pena de escrever.
– Ah, diz?
Bran confirmou com um meneio.
– Você disse que os filhos da floresta tinham a visão verde. Eu me lembro.
– Alguns afirmavam ter esse poder. Seus sábios eram chamados videntes verdes.
– Era magia?
– Se tem de chamar assim, na falta de palavra melhor, chame. No seu âmago, era apenas uma forma diferente de conhecimento.
– Era o quê?
Luwin apoiou a pena.
– Ninguém sabe verdadeiramente, Bran. Os filhos desapareceram do mundo, e sua sabedoria foi com eles. Pensamos que tinha a ver com os rostos nas árvores. Os Primeiros Homens acreditavam que os videntes verdes eram capazes de ver através dos olhos dos represeiros. Foi por isso que abatiam as árvores sempre que faziam guerra com os filhos da floresta. Supostamente, os videntes verdes também possuíam poder sobre os animais da floresta e as aves nas árvores. Até sobre os peixes. O rapaz Reed diz que tem algum desses poderes?