A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
Na condição de pai do reino, Joffrey ocupou o lugar de Eddard Stark. Sansa permaneceu dura como uma lança enquanto as mãos dele passaram sobre seus ombros para lutar contra o broche de seu manto. Uma delas roçou num seio e demorou-se lá, para lhe dar um pequeno apertão. Então o broche abriu-se, e Joff tirou seu manto de donzela com um floreado régio e um sorriso.
A parte do tio não correu tão bem. O manto de noiva que segurava era enorme e pesado, de veludo carmesim ricamente trabalhado com leões e debruado de cetim dourado e rubis. Mas ninguém havia se lembrado de trazer um banco, e Tyrion era meio metro mais baixo do que sua noiva. Quando ele se colocou atrás dela, Sansa sentiu um forte puxão na saia. Ele quer que eu ajoelhe, compreendeu, corando. Ficou mortificada. Não deveria ser assim. Sonhara mil vezes com seu casamento, e em todas elas imaginara o modo como seu noivo ficaria atrás dela, alto e forte, envolveria majestosamente seus ombros com o manto de sua proteção, e a beijaria ternamente no rosto ao debruçar-se para a frente, a fim de lhe prender o broche.
Sentiu outro puxão na saia, mais insistente. Não farei isso. Por que devo poupar os sentimentos dele, quando ninguém se preocupa com os meus?
O anão puxou-a pela terceira vez. Teimosamente, apertou os lábios e fingiu não reparar. Alguém atrás deles soltou um riso abafado. A rainha, pensou, mas não importava. Pouco depois estavam todos rindo, ninguém mais alto do que Joffrey.
– Dontos, de quatro – ordenou o rei. – Meu tio precisa de ajuda para subir até sua noiva.
E foi assim que o senhor seu esposo a cobriu com um manto nas cores da Casa Lannister enquanto se empoleirava nas costas de um bobo.
Quando Sansa se virou, o homenzinho fitava-a, de boca contraída, com o rosto tão vermelho quanto seu manto. De repente, sentiu-se envergonhada por sua teimosia. Alisou as saias e ajoelhou-se diante de Tyrion, para que as cabeças ficassem no mesmo nível.
– Com este beijo empenho o meu amor, e o tomo como meu senhor e esposo.
– Com este beijo empenho o meu amor – respondeu o anão em voz rouca – e a tomo como minha senhora e esposa. – Debruçou-se para a frente, e os lábios tocaram-se brevemente.
Ele é tão feio, pensou Sansa quando o rosto dele se aproximou do seu. É ainda mais feio do que o Cão de Caça.
O septão ergueu bem alto seu cristal, para que a luz arco-íris caísse sobre os dois.
– Aqui, à vista dos deuses e dos homens – disse –, proclamo solenemente que Tyrion da Casa Lannister e Sansa da Casa Stark são marido e mulher, uma carne, um coração, uma alma, agora e sempre, e maldito seja quem se interpuser entre eles.
Teve de morder o lábio para não soluçar.
O banquete de casamento foi servido no Pequeno Salão. Havia talvez cinquenta convidados; a maioria servidores e aliados dos Lannister, juntando-se àqueles que tinham estado no casamento. E ali Sansa encontrou os Tyrell. Margaery olhou-a de um modo cheio de tristeza, e quando a Rainha dos Espinhos entrou, vacilante, entre o Esquerdo e o Direito, sequer a olhou. Elinor, Alla e Megga pareciam determinadas a não conhecê-la. Minhas amigas, pensou Sansa amargamente.
Seu esposo bebeu muito e quase não comeu. Escutava sempre que alguém se levantava para fazer um brinde, e às vezes fazia um brusco aceno de apreço, mas fora isso daria para dizer que seu rosto era feito de pedra. O banquete pareceu prolongar-se sem fim, embora Sansa não tivesse provado nada da comida. Queria que aquilo acabasse, e no entanto temia o seu fim. Pois, após o banquete, vinha a noite de núpcias. Os homens iriam levá-la para sua cama nupcial, despindo-a no caminho e fazendo piadas grosseiras sobre aquilo que a aguardava entre os lençóis, enquanto as mulheres prestariam a Tyrion o mesmo serviço. Só depois de serem enfiados nus na cama é que os deixariam sós, e mesmo então os convidados permaneceriam à porta do aposento nupcial, gritando para dentro sugestões obscenas. A noite de núpcias parecera maravilhosamente maliciosa e excitante quando Sansa era garota, mas, agora que o momento estava quase chegando, sentia apenas terror. Não achava que seria capaz de suportar que arrancassem sua roupa, e estava certa de que rebentaria em lágrimas à primeira brincadeira lúbrica.
Quando os músicos começaram a tocar, Sansa apoiou timidamente a mão sobre a de Tyrion e disse:
– Senhor, lideramos o baile?
A boca dele torceu-se.
– Acho que já lhes demos divertimento suficiente para uma noite, não acha?
– Como quiser, senhor. – Retirou a mão.
Em vez deles, Joffrey e Margaery lideraram. Como é possível que um monstro dance de forma tão bela?, perguntou Sansa a si mesma. Tinha sonhado acordada muitas vezes sobre o modo como dançaria em seu casamento, com todos os olhos postos em si e em seu belo senhor. Nos sonhos, estavam todos sorrindo. Nem sequer o meu esposo sorri.
Outros convidados rapidamente se juntaram ao rei e à sua prometida. Elinor dançou com seu jovem escudeiro, e Megga, com o Príncipe Tommen. A Senhora Merryweather, a bela myrana de cabelos negros e grandes olhos escuros, girava tão provocantemente que em pouco tempo todos os homens presentes no salão a observavam. O Senhor e a Senhora Tyrell moviam-se mais calmamente. Sor Kevan Lannister pediu a honra à Senhora Janna Fossoway, irmã de Lorde Tyrell. Merry Crane juntou-se aos dançarinos com o príncipe exilado Jalabhar Xho, magnífico em seus adornos de penas. Cersei Lannister fez par primeiro com Lorde Redwyne, depois com Lorde Rowan, e por fim com o próprio pai, que dançava com uma graça fluida e séria.
Sansa ficou sentada com as mãos no colo, observando o modo como a rainha se movia, ria e sacudia os louros caracóis. Ela encanta a todos, pensou, entorpecida. Como eu a odeio. Afastou o olhar, dirigindo-o para onde o Rapaz Lua dançava com Dontos.
– Senhora Sansa. – Sor Garlan Tyrell estava em pé junto ao estrado. – Dá-me a honra? Se o seu senhor consentir?
Os olhos desiguais do Duende estreitaram-se.
– A minha senhora pode dançar com quem quiser.
Talvez devesse ter permanecido ao lado do marido, mas queria tanto dançar... e Sor Garlan era irmão de Margaery, de Willas, de seu Cavaleiro das Flores.
– Vejo por que lhe chamam Garlan, o Galante, sor – disse, ao pegar na mão dele.
– É muito amável por dizer isso, minha senhora. Foi meu irmão Willas quem me deu esse nome, por acaso. Para me proteger.
– Para protegê-lo? – Sansa dirigiu-lhe um olhar confuso.
Sor Garlan soltou uma gargalhada.
– Eu era um menininho rechonchudo, temo eu, e nós temos um tio chamado Garth, o Grosseiro. Por isso Willas atacou primeiro, não sem antes me ameaçar com Garlan, o Galo, Garlan, o Gatuno e Garlan, a Gárgula.
Aquilo era tão encantador e inocente que Sansa foi obrigada a rir, apesar de tudo. Depois, sentiu-se absurdamente grata. Sem saber como, o riso tinha lhe dado de novo esperança, ainda que por pouco tempo. Sorrindo, deixou que a música a dominasse, perdendo-se nos passos, no som de flauta, gaita de foles e harpa, no ritmo do tambor... e de tempos em tempos nos braços de Sor Garlan, quando a dança os juntava.
– A senhora minha esposa está muito preocupada com a senhora – disse ele em voz baixa numa dessas vezes.
– A Senhora Leonette é bondosa demais. Diga-lhe que estou bem.
– Uma noiva no seu casamento devia estar mais do que bem. – A voz dele não era desprovida de gentileza. – Parecia à beira das lágrimas.
– Lágrimas de alegria, sor.
– Seus olhos revelam a mentira de sua língua. – Sor Garlan virou-a, puxou-a para o seu lado. – Senhora, vi como olha para meu irmão. Loras é valente e bonito, e todos o amamos muito... mas o seu Duende será melhor marido. Ele é um homem maior do que parece, penso eu.