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Электронная книга - «Fiora e Luís XI, Rei de França». Краткое содержание книги:

Eis que chega o quarto e último volume da série A FLORENTINA e que tanto sucesso tem alcançado junto do público. Desta feita, Fiora - após conseguir escapar da prisão em Roma - consegue avisar Lourenço de Médicis da conspiração, comandada pelo Papa, que visava o extermínio da casa de Médicis. Em sinal de gratidão, Lourenço instala Fiora em Florença e os dois acabam por se envolver amorosamente.Mas os acontecimentos vão precipitar-se com a chegada a Florença do embaixador de França que não só traz uma notícia surpreendente como ainda lhe transmite a ordem de Luís XI para que regresse à corte francesa...
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O Papa preparou-se, então, para a ”guerra santa”. Ao mesmo tempo que recrutava condottieri e reforçava a sua aliança com Nápoles e Siena, escrevia a toda a Europa, convidando os príncipes cristãos a tomar parte no cerco final.

O resultado desse fulminante correio pontifício foi muito diferente do que o seu autor esperava. Os soberanos da Europa não viam qualquer motivo para se lançarem ao ataque de Florença apenas para agradar a um papa que queria punir, através do extermínio de uma cidade, um atentado sacrílego cometido numa igreja. As mensagens chegadas ao Vaticano, plenas de reverência e fórmulas atenciosas, demonstravam uma vulgaridade desencorajante. Um só destinatário não respondeu: o Rei de França, decidido a dar a conhecer, assim, a sua opinião.

Numa tarde de meados de Junho, Fiora, sabendo que Lourenço, retido pelos negócios, não iria ter consigo nessa noite, passeava-se no jardim com Demétrios e Carlo, este sustido por ambos, um de cada lado. Admiravelmente tratado pelo grego, livre dos impiedosos constrangimentos impostos a si próprio desde a infância a fim de sobreviver, o jovem abandonava-se à simples alegria de viver. Naquele enquadramento, parecido com o que amava, Carlo podia receber cuidados atentos, sentir a amizade e passar os dias entre um homem de espírito profundo e de grande cultura e uma mulher encantadora que lhe testemunhava uma afeição de irmã. O jovem não ignorava, evidentemente, o que acontecia muitas noites na pequena gruta, mas, como nunca se considerara marido de Fiora, limitava-se a sorrir, feliz por, após tanto sofrimento, a sua amiga encontrar, finalmente, um pouco de felicidade. Entretanto, era demasiado fino para não sentir o lado precário daquele romance apaixonado.

Dois solitários que um naufrágio atirou para um mesmo barco! disse ele um dia a Demétrios. Ambos encontraram nele víveres e, porque o mar acalmou, porque o céu ficou azul, esperam chegar a uma qualquer costa encantada para ali viverem um amor e uma juventude eternos.

Crês, na verdade, que o amor deles está ameaçado?

Não pode deixar de estar; são demasiado diferentes um do outro. Fiora é demasiado nobre, demasiado orgulhosa para este papel de favorita, publicamente declarado, que Lourenço lhe impõe. Além disso... ela não o ama verdadeiramente. Se os seus olhos não brilham quando ouve pronunciar o seu nome, é porque não ecoa no seu coração.

Poderá vir a ecoar, um dia? Por vezes, uma paixão carnal transforma-se em sentimentos profundos.

Enche um tambor de areia e bate depois nele! Nunca vibrará. O coração de Fiora é esse tambor e a recordação de um outro amor enche-o por completo.

Mas esse amor está morto.

Talvez, mas isso não muda nada. Lourenço, apesar de não o saber, limita-se a ajudar Fiora a passar os dias de modo agradável enquanto ela espera reencontrar, no fim do caminho, para a eternidade, a mão que ela escolheu...

A partir desse momento, Demétrios votou ao jovem enfermo uma amizade que se assemelhava a uma verdadeira afeição. Uma vez curado dos seus ferimentos, já que não podia fazer grande coisa por aquele corpo desgraçado, prometeu a si próprio ajudar a desabrochar uma inteligência que conquistara o seu respeito.

O médico pensava nessa conversa enquanto os três desciam lentamente os degraus largos e suaves que ligavam os diferentes terraços do jardim. Entretanto, Fiora parecia feliz. Sustendo o braço esquerdo de Carlo, falava alegremente, explicando os melhoramentos que contava fazer na sua casa e arredores. O seu perfil fino, velado por um ligeiro e frágil véu azul, destacava-se com a nitidez de uma antiga cinzelagem nas longínquas colinas cor de malva e o grego interrogou-se: Carlo teria razão ao crê-la ainda habitada pelo amor de outros tempos? A jovem parecia de tal modo viver a hora presente! Era como se tivesse esquecido aqueles de quem estava afastada há meses: a sua casa de Touraine, a sua velha Léonarde e, sobretudo, o seu filho. Aquela que se regozijava em segredo a chamar de filha tornara-se naquela criatura superficial, unicamente preocupada com as suas noites ardentes com Lourenço, não esperando outra coisa da vida?

Estou a ficar velho, pensou Demétrios com alguma tristeza, já não sou capaz de ler o seu coração e, sobretudo, os olhos do meu espírito perderam o poder de perfurar as brumas do futuro. No entanto.

Um som de passos rápidos no cascalho do jardim acordou-o da sua meditação. Descendo a alameda onde umas laranjeiras envasadas, recentemente saídas da sala da villa onde tinham passado o Inverno, alternavam com loureiros metidos em altos vasos de barro vermelho, Esteban, que vinha da cidade, acorria a toda a pressa.

Trago notícias! gritou ele de longe assim que viu os passeantes. O Rei de França enviou um embaixador a monsenhor Lourenço!

O castelhano vinha esbaforido e as últimas palavras perderam-se um pouco no vento da tarde, mas Fiora tinha percebido o principaclass="underline" Isso é bom, ou mau? perguntou ela sem procurar dissimular uma certa inquietação.

Muito bom, certamente! E melhor ainda porque se trata de um dos vossos amigos!

Um amigo? Quem? Falai, Esteban, fazeis-nos morrer de ansiedade!

Messire Philippe de Commynes, donna Fiora! Não ides dizer-me que não é um amigo! Chega pelo São João. Monsenhor Lourenço, com quem estive há uma hora na Badia, foi avisado por um cavaleiro rápido logo a seguir ao meio-dia.

Quem é esse Philippe de Commynes? perguntou Carlo, que se interessava cada vez mais, a cada dia que passava, pela vida exterior.

É o melhor conselheiro do Rei Luís a despeito da sua pouca idade, porque ainda não chegou aos trinta. Durante muito tempo ao lado do defunto duque de Borgonha, abandonou-o ao perceber a política rígida que este queria exercer. Conheço-o bem, com efeito e creio poder afirmar, como Esteban, que é para mim um excelente amigo.

A sua visita dá-vos prazer, então?

Evidentemente. Espero ter, através dele, notícias recentes do meu filho...

Não quero diminuir a tua alegria, Fiora cortou Demétrios mas, como pode messire de Commynes trazer-te notícias? Ele ignora, certamente, que tu estás aqui.

Demétrios tinha razão e o olhar da jovem encheu-se de sombras. As últimas notícias dela chegadas a França deviam ter sido levadas por Douglas Mortimer. Mortimer, que assistiu, na capela papal, ao seu casamento com Carlo Pazzi...

Demétrios seguira o fio do pensamento no rosto móvel da jovem. O médico sorriu e segurou-lhe numa das mãos.

Não fiques triste! Eu procuro, apenas, poupar-te a uma desilusão. Mas o teu rapto de Plessis-les-Tours deve ter feito algum barulho e o nosso amigo Commynes poderá, pelo menos, dizer-te o que se passou depois.

Não estou muito certa. Ele estava, então, exilado em Poitou por ter ousado criticar a crise de violência que o Rei Luís atravessava. No entanto, o facto de ser ele o embaixador já é, em si, uma boa notícia. Isso prova que ele reencontrou a confiança daquele a quem ele gosta de chamar o ”nosso sir. E que chegue pelo São João, a nossa grande festa, é um bom augúrio.

De regresso ao seu quarto onde Khatoun, curada dos seus pavores e escoriações, a esperava comendo pistácio, Fiora sentiu-se estranhamente sobreexcitada. A ideia de rever Commynes sorria-lhe: não era ele um dos de quem mais gostava entre os que deixara para lá dos montes? Graças a ele, podia conhecer as disposições actuais do Rei para com ela. Que Luís fizera muito para a tirar da má situação para a qual a cupidez de Riario e de Hieronyma a tinham atirado era um facto, mas ela sabia-o inconstante e, sobretudo, exigente: como teria reagido ao seu casamento com Carlo?

Para Florença, fosse como fosse, a notícia não podia deixar de ser boa. Fiel há muito à aliança com os Médícis e pouco dado a indulgências para com um Papa que não cessava de o ofender, Luís XI, ao enviar o seu melhor conselheiro, procurava, certamente, tranquilizar os seus amigos florentinos...

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